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TRIBUTO AO MESTRE CARLOS RAMIRO BASTO

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Faleceu em Maceió, no último dia 3, uma das figuras mais proeminentes no mundo jurídico alagoano ? o professor Carlos Ramiro Basto. Conheci o professor nos anos sessenta quando, como seu aluno, frequentava a antiga Faculdade de Direito da Alagoas. Nos anos setenta, nos governos Afrânio Lages e Divaldo Suruagy, tive a oportunidade de trabalhar próximo ao professor quando atuei como assessor técnico do Gabinete do Governador, sendo ele consultor-geral do Estado. Nesse período, em que frequentemente trocávamos ideias sobre questões jurídico-administrativas, tive a chance de contar com sua orientação experiente e conselho. Homem afável, de trato fácil, malgrado a diferença hierárquica e de idade, se propunha a discutir com o ex-aluno de modo direto e franco, quase que de igual para igual. Desportista, presidiu o CSA, o Tribunal de Justiça Desportiva, o Conselho Regional de Desportos e a Federação Alagoana de Desportos. Como advogado, foi responsável pela constituição da primeira Sociedade de Economia Mista criada em Alagoas, a Eletro Mundaú S/A. Entretanto, foi na modernização da estrutura administrativa estadual que sua contribuição foi mais notável. Participou, dentre outras, da constituição da Companhia de Eletricidade de Alagoas ? Ceal e do Banco do Estado de Alagoas S/A, de que foi presidente por mais de sete anos. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, ocupou a Cadeira nº 27, que tem como patrono Antônio Guedes de Miranda. Além da tese de cátedra, intitulada Do Órgão Fiscal nas Sociedades Anônimas, publicou monografia, ensaios e a conferência Memórias de uma Velha Cidade ? Marechal Deodoro. Colaborei na elaboração do anteprojeto de lei de criação da Carhp. Ocorreu-me, então, como nos velhos tempos, submeter o anteprojeto ao crivo do dr. Carlos. Criticando o documento, ele me indagou: quem produziu isso? Informado de que tinha sido eu, desmanchou-se em desculpas. Era característica sua a sensibilidade. Ressentia-se facilmente e tinha cuidado extremo em não melindrar as pessoas. Malgrado a crítica, consegui o que almejava: uma análise criteriosa que permitiu, com segurança jurídica, levar a termo o que objetivava o governo. Assim era Carlos Ramiro Basto. Cidadão prestante, amigo solidário e mestre a quem devem tributo muitas gerações de alagoanos. Deixa saudades.

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