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“AUTORIDADES ALAGOANAS ESCAPAM DE DESASTRE A�REO”

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Com esta manchete de primeira página e foto, a vibrante Gazeta de Alagoas, anunciava em primeira mão o lamentável acidente com o avião que transportava membros do governo à cidade de Delmiro Gouveia onde o governador Lamenha Filho inauguraria a agência do Banco do Estado. Um bimotor levava o chefe do governo. No segundo avião, iriam os secretários da Fazenda, Murilo Mendes, do Governo, José Alves, da Educação, José de Mello e o autor deste artigo, delegado da capital. Murilo Mendes diz: ? Villar, vá na outra aeronave pois estão chegando outros companheiros e nós precisamos detalhar a conversa que você ouviu no aeroporto?. Na verdade, eu já conhecia aquela legítima aspiração política dos três principais secretários do governo. Murilo seria o candidato a governador, José Alves, a deputado federal, e José de Melo, a deputado estadual. Mas o projeto precisava do apoio do líder maior que tinha grande apreço pelos atuantes, leais e competentes auxiliares. Ninguém desconhecia que o governador tinha no bolso do colete também o nome do valoroso deputado Antônio Gomes de Barros, presidente da Assembleia Legislativa. O governador disparou em direção a Delmiro no seu potente bimotor. O nosso monomotor também. Os secretários partiram logo em seguida. Sobre Atalaia, percebo que o nosso avião começa a fazer uma curva de volta ao aeroporto de Maceió, de onde, havia poucos minutos, decolamos. Com o então assessor de imprensa do governo, o hoje promotor Luiz Carnaúba, falamos ao piloto: ?O senhor está voltando? Algum problema com a aeronave?? ? ?Tudo bem?, respondeu. Ainda brinquei com o diretor do Produban, Carlos Castelo Branco, uma poltrona atrás da minha ao lado do dr. Simões, cônsul da Espanha em Alagoas . ?Castelo, dessa vez vamos chupar cana?. ?Brincadeira, Villar?. De repente, o avião começou a imbicar. Carlos Brêda, saudoso presidente da Associação Comercial confidenciou: ?Tenho um probleminha no coração?. Quando a hélice do avião começou a cortar o canavial, parecia o matraquear de uma metralhadora vomitando fogo. Uma grande pancada. O avião enterrou o bico no chão quebrando a asa, nos impedindo de abrir a porta. Do alto, Murilo, Alves e Melo acompanharam o drama. Afinal, o nosso piloto advertiu dramático: ?O tanque está cheio de combustível, pode haver uma explosão a qualquer momento?. Unidos, arrombamos a porta de emergência. Uns correndo, outros caminhando, chegamos ao pátio da Usina Utinga sãos e salvos.

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