Opinião
Risco real de fogo morto?
Azedou, e muito, a coisa no setor sucroalcooleiro alagoano. Em verdade, a crise é nacional, mas os efeitos em nosso estado são especialmente danosos em função da preponderância do segmento na economia local. Sem meias palavras, uma tragédia se anuncia para ontem. Em São Paulo, 49 usinas já fecharam e outras 90 devem fechar nos próximos meses ? declaram os empresários alagoanos. No nosso estado, logicamente, os números são mais modestos, contando com 24 usinas que produzem entre 24 milhões e 30 milhões de toneladas de derivados de cana-de-açúcar, ofertando 100 mil empregos diretos, o que representa nada mais nada menos que 1/3 de toda economia alagoana, pelas contas do jornalista Edivaldo Junior. Neste cenário, além da situação do Grupo JL, um dos mais poderosos de toda a região, as notícias dão conta de que duas outras referências estariam entrando no regime de recuperação judicial: Roçadinho e Leão. Naturalmente que uma realidade como esta é propícia para a proliferação de boatos de todos os tipos, daí ser necessário todo o cuidado para checar os dados no sentido de equacionar o problema. Ampliar o sentimento de insegurança não ajudará em nada a ninguém. Pedro Robério Nogueira, presidente do Sindaçúcar/AL, é enfático: ?é a maior crise de todos os tempos. E ela é maior não só pelas dificuldades financeiras que enfrentamos, mas porque não estamos, no momento, enxergando nenhuma saída?. Informações levantadas pela Gazetaweb indicam que ?a essa altura, apenas duas usinas iniciaram a moagem. Em igual período do ano passado, mais de dez unidades já tinham iniciado a operação. É quase certo que algumas unidades ficarão sem moer?. Quem quer que se interesse pelo futuro alagoano percebe o quão é limitado e arriscado ter a economia assentada sobre uma única alternativa durante tanto tempo. É batalha antiga a luta pela diversificação das opções produtivas em Alagoas, mas é estupidez torcer pelo colapso do sistema (industrializado) que garante, sozinho, a terça parte de tudo que é gerado em nosso estado. Os problemas que se abatem sobre o setor sucroalcooleiro alagoano são verdadeiramente preocupantes e precisam de um enfrentamento ousado, transparente e urgente.