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Opinião

O PESO DA IDADE

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Viver muito é uma graça divina, mas tem, também, os seus percalços, quer físicos, quer sentimentais. Conviver com as dores que lhe vão martirizando devido ao desgaste dos ossos e dos músculos, sobretudo se você ganhar uns pesos a mais. Hoje, a ciência lhe oferece medicamentos, educação alimentar e fisioterapia apropriada que lhe podem garantir uma existência mais comprida e saudável, mas nem todos têm a força de vontade de enfrentá-los. Porém, a parte mais dolorosa da vida longa está na cabeça. Saber enfrentar a solidão! Encarar as dificuldades do modernismo e aproveitá-las com inteligência! Não se sentir como uma ?carta fora do baralho? quando os mais jovens começarem a achar sua companhia dispensável por julgarem suas ideias ultrapassadas, somente por que tem muita idade. Se andar em excesso não lhe seja possível e precisar de uma cadeira de rodas, por mais desembaraçada que seja no usá-la, ninguém quer viajar com você, têm medo que lhe dê trabalho! O mais duro para quem vive muito é ver os amigos que não tiveram a sua sorte de chegar tão longe na idade, desaparecerem. Famílias inteiras, uma a uma, muitas tão queridas, vão-se indo e deixando as lembranças e uma grande saudade! Anteontem, fui ao enterro de Ana Luísa Collor de Mello. Acompanhei sua vida desde menina. Morávamos em frente à casa de sua família, na Praça Sinimbu, quando seu pai foi governador do Estado. Fomos grandes amigos, ajudei Leda nos seus projetos beneficentes, e como meus filhos eram da idade dos deles, brincavam juntos muitas vezes, e em algumas noites que nos reuníamos com os vizinhos para conversar na calçada na qual, o Arnon se juntava a nós para um dedo de prosa. Ana Luísa era colega de minha Lêda, no Sion de Petrópolis. Nos domingos que não permitiam as alunas descerem para o Rio, onde tinham família, por gentileza de Leda, minha filha passava o fim de semana no sítio dela, em Correias. Assim, as duas, foram mais amigas. Cresceram: cada uma tomou seu rumo. Anteontem, uma grande angústia tomou conta de meu ser, quando vi minha querida amiga naquele caixão! Como o tempo passou depressa! E já levou o Arnon, a Leda, o Pedro e o Leopoldo... agora, a Ana Luísa! E tantos outros amigos que eu quis tanto bem, com quem muito nos divertimos e tanto construímos, e partiram! Alguns jovens ainda! Antontem no enterro de Ana Luísa, senti essa angústia dolorosa!

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