Opinião
O C�NCER E A SUPERA��O
Há dois anos, um amigo já aposentado sugeriu que reuníssemos um grupo de companheiros nos finais de semana. Bate-papo. Troca de ideias. A iniciativa prosperou. Se não todas as semanas, mas sempre que possível a maioria. Conto-lhe isso, leitor, para relatar que ao nosso grupo associou-se uma senhora bem apessoada, muitos diriam bonita nos seus 40 anos. Entretanto, era mal humorada, intolerante com a opinião alheia. Suas críticas eram ácidas, atritos e conflitos se estabeleceram. Nunca se dava por satisfeita. Estressada, nunca lhe sobrava tempo para o lazer. Talvez quisesse comprar tempo, mas no mercado da vida o tempo não estava à venda. Tinha crises de ansiedade e síndrome do pânico. E para completar esse quadro, sua avó morrera em consequência de um câncer de intestino e sua mãe, de um câncer de mama; não lhe saía da mente a ideia de que também teria câncer, cedo ou tarde. Sua emoção era bipolar: ora céu de brigadeiro, ora o inferno torturante de Dante Alighieri, o poeta italiano. Desapareceu de nosso convívio sem dar explicações. O fato é que se tratava de uma mulher sofrida. Machado de Assis afirmou em um de seus escritos: ?Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa?. Ela colecionava ideias fixas de conteúdo negativo. Tempos depois, Porfirio, o filósofo do grupo, encontrou-a na saída de um consultório. Chorava descontroladamente. Recebera o diagnóstico de que era portadora de um câncer de mama. O mundo ruía a seus pés. Parecia ter perdido o rumo. Uma senhora aproximou-se, ouvira a conversa e foi logo dizendo: ?eu também já tive câncer, mas me curei?. Ela não parecia ouvir. Leituras e conselhos ajudaram-na a repensar a vida. ?A fé é necessária para sobreviver. A vida é cheia de obstáculos que a tornam difícil, mas a fé ajuda a encontrar o apoio e o sentido necessários. Lembre-se das profundas influências de sua mente sobre o seu corpo. Alimente a ideia de que você vai vencer?. Cirurgia, quimioterapia, sofrimentos concorreram para que descobrisse em si forças inconscientes até então desconhecidas. Estava, gradualmente, conseguindo vencer adversidades que anteriormente consideraria insuperáveis. Talvez estivesse curando o corpo e a alma. Semana passada, recebi uma carta destinada ao grupo. Pedia desculpas por erros e omissões e afirmava ter descoberto uma nova vida. Esperança, amor e fé são, agora, o trinômio orientador de sua nova existência. Levo sempre comigo, como símbolo, um laço cor de rosa. Superei ansiedades e fobias ? concluiu.