Opinião
Quando o crime tem tr�nsito livre
Calejado pela recorrência das piores colocações nos rankings sociais (e especialmente no quesito violência), o alagoano poderá ignorar, ou até achar razoável, a quinta colocação dentre os estados brasileiros na categoria ?assaltos em rodovias federais?. Mas o fato é que, para um estado de proporções tão diminutas como o nosso, a 5ª posição é particularmente vexatória. Em se prestando atenção aos quatro colocados à frente de Alagoas, percebe-se unidades muito mais assistidas pelas rodovias federais e, desse quarteto, três possuem grandes extensões territoriais, como Goiás, Minas e Bahia. Pior que Alagoas, proporcionalmente, só o Distrito Federal ? que faturou a segunda colocação, superado apenas por Goiás, o campeão na rapina perpetrada nas rodovias federais. Melhor visão teríamos do problema se a pesquisa, sem mais firulas, auferisse os assaltos cometidos em rodovias. Simples assim, sem distinção entre as vias. Pouco importa se o crime foi cometido em pista federal, estadual ou municipal. A estatística deveria fazer essa soma tenebrosa e daí saberíamos a quantas anda a insegurança nas estradas brasileiras. Enfim, a pesquisa divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), bem ou mal, tem sua utilidade, mesmo que parcial. Além da estatística em si, o estudo deverá orientar particularmente a reação da Polícia Rodoviária Federal, ente ao qual compete a segurança nas rodovias federais. Com base nesses dados, por exemplo, identifica-se que o centro das preocupações em Alagoas é a BR-101, pois esta rodovia concentrou 12 das 13 ocorrências em nosso estado. Serve para algo, portanto. Serventia maior teria, entretanto, o sistemático levantamento de todas as ocorrências em todas as estradas. Esse estudo ideal orientaria a reação conjunta das forças policiais (federal, estadual e municipal) responsáveis pela segurança em todos os tipos de rodovias. Sem esta articulação indispensável não haverá solução para mais este grave problema de segurança pública. Trafegar com segurança deveria ser uma prioridade nacional, estadual e municipal. Para as vítimas, para os prejuízos contra a economia, segmentar as informações e ações é um problema a mais.