Opinião
O LIVRO DAS PROFECIAS
Em 1997, o Senado Federal resolveu publicar um livro sobre o que proeminentes figuras nacionais pensavam como seria o novo milênio especialmente o século 21 e a esse esforço de futurologia denominou O livro das profecias. Entre as dezenas de personalidades brasileiras convidadas estava o destacado dirigente comunista João Amazonas que em seu texto declarou que o futuro não pode desligar-se do passado, é do exame crítico dos tempos que vão ficando para trás que surgem as indicações, às vezes precisas, das perspectivas vindouras, dos rumos históricos. Desenvolvendo o seu ponto de vista, o então presidente nacional do PCdoB alertou que o século 21 seria o cenário de uma grande batalha, que já se encontrava presente no seio da sociedade humana, entre o novo que procura abrir caminhos ao progresso social e o velho que resiste a desaparecer utilizando-se para tanto de todos os meios, pacíficos ou violentos. João Amazonas, experiente pensador político, disse que as massas iriam levantar-se contra esse sistema brutal mas que, inicialmente, iam carecer de perspectivas claras contra o neoliberalismo, seus aparatos ideológicos, como a grande mídia global. Afirmava que no começo do século 21 haveria luzes e trevas, mais trevas que luzes, depois o quadro se inverteria e a humanidade viveria tempos de grandes esperanças. Hoje, as lutas nacionais, populares, vão encontrando novas formas de resistência erguendo contrapontos à hegemonia neoliberal como o surgimento dos Brics, contra seus aparelhos militares, ideológicos, políticos ao tempo que recrudesce a crise estrutural capitalista, a violência imperial por todo o planeta. E como a consciência política do povo brasileiro é o grande inimigo a ser derrotado pelo rentismo e o pensamento único do mercado, vem sendo imposto à sociedade algo requentado já diagnosticado como ?a sociologia do desgosto com o Brasil?, um eterno olhar colonizado, dependente, o transplante mecânico de fórmulas acadêmicas vindas da Corte. Que rejeitam o estudo, a compreensão da realidade nacional, suas várias peculiaridades regionais, riqueza cultural, onde o protagonismo do processo civilizatório brasileiro seria um grande desvio porque nega as teses importadas. Por isso, e muito mais, as ?profecias? realizaram-se; a luta é mesmo gigantesca.