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Opinião

Um risco centen�rio sempre menosprezado

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Mais um acidente fatal chama a atenção para o potencial mortal contidos em riscos cotidianos. É o caso da morte, por eletrocussão, de uma garota de apenas 12 anos que, ao brincar, simplesmente tocou em um portão metálico por sua vez ligado à corrente elétrica doméstica. Cabe reforçar o alerta para o uso da eletricidade como arma. Seja para defesa (cercas eletrificadas, por exemplo) ou para ataque (armas elétricas), o efeito pode ser, simplesmente, o óbito de alguém. Isto tem de ser levado em consideração antes de se lançar mão desses instrumentos. Convém lembrar que usamos, como em todo mundo, o sistema de corrente alternada. Tão nociva para a vida que, quando da disputa entre os dois sistemas (alternado e contínuo), o genial Thomas Edison, defensor e proprietário da patente da opção contínua, em luta eletrizante contra seu rival George Westinghouse [defensor e proprietário da patente da opção alternada], levou adiante uma campanha publicitária para alertar sobre o alto risco da solução rival. Como demonstrações práticas da letalidade da fórmula proposta por Westinghouse, Edison patrocinou diversas eletrocussões públicas de animais, sendo o auge desse processo ?educativo? a execução (filmada, inclusive, por ele) de uma elefanta de circo. Chamada Topsy, a paquiderme recebeu a pena capital por ter esmagado um homem, e pereceu sob poderosos choques elétricos em corrente alternada. Para culminar o processo, Edison (sem assumir publicamente) inventou a cadeira elétrica ? utilizada pela primeira vez, em 6 de agosto de 1890, contra um condenado chamado William Kemmler. Assim, as vidas de gatos, cães, bois, elefante e seres humanos foram sacrificadas como demonstração do quão era perigosa a eletricidade na forma de corrente alternada. Mas questões técnicas e econômicas falaram mais alto e este é o formato da corrente que temos em nossas casas em todo o mundo. Somos obrigados a conviver com este perigo há mais de um século e é justo cobrarmos que cessem as experimentações, voluntárias ou não, sobre a letalidade dessa indispensável forma de energia. E a lei tem de garantir que essas lições centenárias não sejam esquecidas nem menosprezadas.

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