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Opinião

AGINDO COMO CIDAD�OS

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Fiz um debate com os meus estudantes da Ufal nas três turmas que ensino no curso de Comunicação. O tema central foi manifestações e o uso das máscaras pelas cidades do País. Fiquei impressionado com o amadurecimento e o resultado da resposta deles diante dos questionamentos. Todos convictos e certos que manifestações políticas são feitas por cidadãos que devem ter o orgulho e a responsabilidade de serem autores de seus gestos. A reivindicação dentro do espaço coletivo implica para o Estado a responsabilidade de garantir a livre expressão e para quem manifesta a renúncia ao anonimato do privado. Buscar esse equilíbrio é renovar nossa democracia mantendo essas demandas agindo com consequência como cidadãos. Após a última ditadura, o Brasil carimba seu passaporte para aperfeiçoar a nossa democracia, nunca em abrir caminho a um terrível autoritarismo. Repensar o que acontece nas ruas, manifestações não devem fechar ruas, usar máscaras, paralisar a cidade, impedir a livre circulação nas rodovias ou ocupar prédios públicos indeterminadamente. O que parece um direito, na verdade, é uma ação que permite sujeitar o coletivo ao individual. No limite, essas ações, elas tendem a construir não uma liberdade cidadão, mas uma anomia individualista que iguala, perversamente, poder de agir e direito de agir. Colocar sempre presente que uma sociedade de indivíduos pode destruir uma sociedade de cidadãos. Discordar, acreditar que estes conceitos são afirmados no âmbito da ?democracia burguesa?, é navegar e misturar os campos que levam ao arbítrio. Fortalecer a democracia, sem adjetivos, sem atitudes de fachada, que se passa de leve só para ficar mostrando da boca para fora, sem uma prática decente e verdadeira. Governadores decidiram proibir o uso de máscaras em manifestações. Não há nada de autoritário nisso. Como também não é preciso pedir autorização para organizar protestos, desde que não obstruam ruas nem calçadas. No mundo romano da Antiguidade se herdou do teatro grego a ideia de homens representando todos os papéis, só que, em vez de construírem máscaras de argila, eles pegavam cera de abelha, misturavam com vários pigmentos vegetais e faziam uma pasta, que era passada no rosto. É por isso que pessoa sincera, sine cera, sem cera, é uma pessoa sem máscara, que não tem duas caras, fingida; é aquela que não fala uma coisa e pensa outra, é aquela que não diz uma coisa e age de outro modo. Pense nisso!

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