Opinião
Tempo amargo para a cana de a��car
Segue preocupante a realidade do setor de derivados da cana-de-açúcar em Alagoas. Como se sabe, esta crise tem abrangência nacional, mas é mais sentida em nosso estado pela preponderância do segmento. É fato, portanto, que as dificuldades não se restringem a um estado, e, sim, refletem um dos ?gargalos? da política de desenvolvimento brasileiro. Em essência, o atual imbróglio tem a ver, particularmente, com a defasagem do preço do álcool no mercado interno, problema que se soma com questões outras, essas típicas de uma economia ?travada? em suas taxas de crescimento. Uma das teses defendidas pelo setor aponta para a ausência de estratégias ousadas para o etanol. Num primeiro momento, há alguns anos, a questão dos biocombustíveis foi, corretamente, colocada no centro dos debates. Trata-se de uma abordagem que não pode ser feita de forma superficial, pois envolve políticas de longo curso ? que só têm condições de ganhar o mundo se forem dotadas de uma visão estratégica capaz de ?segurar a onda? espontânea do mercado com o fito de garantir uma base material mínima para que sejam criadas (artificialmente, assinale-se) condições de competitividade no primordial mercado dos combustíveis. Sem esse foco audacioso, de brigar por um espaço no explosivo (literalmente) mercado energético, não há como disputar com o velho e mau petróleo. Nesta situação, acuado no canto do ringue, está o renovável etanol. Levando pancada após pancada dos derivados do óleo de pedra, com o preço manietado, o etanol transformou-se num negócio ruinoso para o setor sucroenergético. Em todo o Brasil, as usinas acusam a pancada. Em Alagoas, como se sente, o quadro se agrava a cada dia, com o crescimento das dívidas com fornecedores e trabalhadores. Segundo a Federação dos Trabalhadores Rurais, cerca de 15 mil pessoas deixaram de ser contratadas neste ano. Pelas contas da Associação dos Plantadores de Cana, dois mil dos sete mil fornecedores não receberam seus pagamentos. As perspectivas são sombrias. E a falta de respostas às reivindicações do setor torna o horizonte ainda mais brumoso, confirmando o tempo fechado para Alagoas.