Opinião
Ainda a insustent�vel leveza da espionagem
Mais uma constatação de espionagem internacional realizada pelos serviços secretos americanos causa polêmica na mídia mundial. Desta vez foram os franceses que descobriram-se bisbilhotados pelas ações de escuta da Agência de Segurança Nacional (NSA). Segundo o conceituado jornal francês Le Monde, os americanos teriam ?interceptado 70,3 milhões de e-mails e telefonemas da França ao longo de 30 dias, entre o fim de 2012 e início de 2013?. Os números são produtos de pesquisas sobre os dados divulgados por Edward Snowden, ex-agente da NSA que arriscou a liberdade para alertar o mundo sobre as violações internacionais cometidas pelos serviços secretos americanos. Como se sabe, o ex-espião americano, depois de ter feito as denúncias, passou (e passa) por enormes dificuldades para conseguir asilo político, chegando a passar dias morando na ala internacional do aeroporto de Moscou até ser acolhido, em caráter ainda precário, pela Rússia. Os documentos vazados por Snowden causaram muito rebuliço e alguns constrangimentos formais para a Casa Branca, além de pessoas ligadas a esse processo estarem ainda sofrendo pressões, como o jornalista britânico Glenn Greenwald. A extensão da espionagem da NSA, como era de se esperar, revela-se ampla, geral e irrestrita. O surgimento da França dentre os espionados dissolve a pseudojustificativa de que o Brasil teria sido bisbilhotado por conta de suas posições independentes na política internacional e a mídia tupiniquim chegou a destacar avaliações de um autoproclamado ?diplomata americano? nesse sentido. O fato, porém, é que ? logicamente ? os Estados Unidos espionam tudo e todos, inclusive seus maiores aliados como o Reino Unido e a Alemanha. Os franceses ficaram ?indignados?, repetindo o mesmo indispensável jogo de cena diplomático sobre essa questão nada secreta. Como escrito aqui noutra oportunidade, protestar faz parte da cenografia diplomática, mas apenas importa o esforço de tentar preservar os serviços de espionagem alheios (não só os EUA são ativos nesse labor) seus segredos através do mais eficiente possível serviço de contraespionagem. O resto é papo ? com todo o respeito.