Opinião
REFER�NCIAS � SEMANA DO M�DICO
No transcurso da Semana do Médico, várias comemorações. Um grande número de companheiros defendia que não havia o que comemorar. Defendi que sim. E esse é o pensamento da maioria. A categoria médica é milenar, e se não era organizada como hoje, desde Hipócrates, considerado o pai da medicina, ela existe e muito antes dele através daqueles que tentavam minorar a dor de alguém. Dentre as comemorações, foi realizada uma noite cultural, que reuniu o Conselho Regional de Medicina ? Cremal, o Sindicato dos Médicos de Alagoas, a Academia Alagoana de Medicina, a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) e a Sociedade de Medicina de Alagoas. Foram prestadas homenagens e os próprios médicos fizeram apresentações literárias e musicais. Uma festa de congraçamento. Vale salientar a união das diversas entidades médicas em torno de objetivos definidos. Mas, passada a euforia, vieram-me à mente várias reflexões sobre os que sofrem, os que já não têm possibilidade de participar, os doentes internados em hospitais. Os que já se viram presos a um leito hospitalar são, por vezes, vítimas de desalento, de tristeza, de ansiedade. Igualmente é sabido que, nas clínicas que abrigam idosos, ou nas enfermarias infantis, onde quer que esteja alguém que sofra ou padeça está sempre um ser carente e predisposto à angústia. Pensamentos e convicções são abalados por dúvidas e incertezas. Nesse quadro, a par da terapêutica e do medicamento, são fundamentais e de importância vital a compreensão e o apoio. Há que referir o papel humano e o humanístico necessário aos que exercem funções na área da saúde. Ao lado do conhecimento, da técnica aperfeiçoada, saliente-se o valor da palavra e do estímulo. Sabe-se que um sorriso é cortesia que vale muito e custa pouco; uma palavra de ânimo é uma enzima que faz crescer o bolo da esperança de uma boa recuperação. Lembro-me de um colega que dizia haver palavras-chave que ensinavam aos pacientes mais graves. Expressões que influem na mente e elevam o astral e que ele mandava repetir: eu vou ficar bom, eu quero viver, eu vou superar esta crise, eu acredito em Deus. A repetição pode levar à convicção. São imensas as possibilidades de recuperação do organismo humano, se a mente for sã, se o espírito for forte. Quando se está a ponto de perder a saúde ou a vida, reflete-se mais o valor delas.