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Opinião

AUTOCR�TICA

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Há um ano, escrevi um texto defendendo a obrigatoriedade de uma prova para novos médicos nos moldes da OAB. Alegando perigo para a população, graduandos e graduados sempre foram fortemente contra a abertura desenfreada de novos cursos de Medicina, mas muitos eram contra a realização da tal prova. Era uma posição ambígua. Agora, após um movimento do governo que, alegando escassez de mão de obra, desobrigou médicos estrangeiros de submeterem-se a teste parecido, vamos a público alertar sobre os riscos de tal atitude para a saúde pública. É natural que a posição seja vista com desconfiança pela sociedade. Assim como o Revalida para brasileiros, o desafio de colocar um médico em cada pequena cidade brasileira nunca foi tratado com a urgência que realmente exigia. A marcha que levou milhares de médicos a Brasília exigindo a realização de um concurso nacional para preencher tais lacunas deveria ter sido feita antes do lançamento do programa Mais Médicos. Por outro lado, a luta por mais verbas para o SUS sempre foi uma epopeia de nossas entidades de classe. Paladinos como o dr. Emmanuel Fortes, que recentemente brilhou em rede nacional de TV, raramente porém tem o apoio necessário. Preocupamo-nos muito com nossos pacientes e suas angústias e pouco com as grandes questões. Se existe uma verdade na medicina, é que quanto menos estrutura ao seu redor, melhor tem que ser o médico. Os ruins se escondem atrás de pedidos de exames e encaminhamentos para especialistas. Para atuar nos confins do País, precisamos de ótimos médicos, e não qualquer um. A frase ?melhor médico ruim que nenhum? nasceu da nossa incapacidade de explicar isso para os leigos. Outro erro que muitos vêm cometendo é achar que a imprensa está errada. Se não cobre a celeuma como gostaríamos, é porque não estamos mandando as mensagens certas e principalmente, não o fizemos na hora certa. A culpa pela má publicidade é de quem vaiou os cubanos e não de quem publicou a foto. Sem precisar de médicos estrangeiros, o Brasil foi o campeão mundial na redução da mortalidade infantil nos últimos 20 anos (redução de 75%). Mas esse dado fantástico só ficou conhecido porque a imprensa fez a sua parte e criou a notícia. O dado é divulgado todos os anos e nós nunca o utilizamos para mostrar nosso valor. Onde estávamos esse tempo todo?

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