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Opinião

Quando era proibido proibir para todos

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Discutida até com certa paixão, a temática das biografias traz em seu bojo questões fundamentais para a democracia e, naturalmente, para a liberdade de expressão. O estrelismo, porém, está conseguindo chamar mais a atenção; em certa medida, desviar a atenção do foco principal ? o genérico, em contraposição à visão privada das celebridades do show business. Da forma como certos ídolos têm esposado a tese da censura prévia a suas biografias não autorizadas, o assunto se particulariza. Elitizando-se, o debate tem deixado de fora o mais danoso dos focos nesse campo, o das ?biografias? partidarizadas, mormente edificadas para bombardear a carreira política de alguém com a mera veiculação de dados manipulados. A questão das biografias, e, por extensão, da liberdade de expressão, pesquisa e publicação, deve ser entendida de forma geral, extensiva para todas as pessoas. Trata-se de um tema cidadão e não de um nicho do negócio da indústria do entretenimento. O fundamental é a responsabilidade, cível e criminal, quanto à veiculação de informações sobre qualquer cidadão ou cidadã. O delito de caluniar, difamar outrem é previsto na legislação brasileira. Isto, sim, deveria ser aperfeiçoado e objeto de decisões ágeis e firmes. Censura, especialmente a prévia, jamais foi característica das democracias. Todos devem ser tratados como iguais perante a lei. A quem trabalha, ou deseja trabalhar, com biografias deve ser garantido o mais amplo direito de exercício de sua atividade ? com responsabilidade, eis a questão. Não podemos nos esquecer que as biografias (autorizadas e não autorizadas) são importantes instrumentos de formação cultural, histórica e moral, há milênios, vide exemplos como Da Vita Caesarum, obra mais traduzida como As Vidas dos 12 Césares, escrita por Suetônio, nos idos do ano 121, ainda hoje é leitura de grande qualidade. Repetimos: mentira, calúnia, difamação, manipulação e demais formas inverídicas no trato das biografias não devem ser beneficiadas por vistas grossas nem, muito menos, servir de desculpas para tratar astros e estrelas como seres privilegiados, acima das demais figuras públicas.

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