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Opinião

O CRIME E O CASTIGO

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Durante boa parte de minha vida, sempre que assistia a um filme, sobre conflitos no Oriente Médio, imaginava como seria viver numa cidade violenta. Vejo hoje, nitidamente, as mesmas cenas na minha cidade. Falta apenas o clima de guerra aberto, com tanques nas ruas e fuzileiros correndo de um lado a outro, porque, dissimuladamente, já vivemos. Tornaram-se tão banais as explosões de caixas eletrônicos, bancos e lojas. Pior ainda, morre-se com a mesma facilidade com que se morria na Idade Média. O terror tomou conta da população e não há a quem reclamar, nem ao bispo, que certamente também vive o mesmo drama. Rasgaram o Contrato Social e o jogaram no lixo. Voltamos ao estado de guerra. Cada um por si. Se democracia é isto, eu prefiro uma ditadura que me defenda. Pois eu preciso de um Estado que me dê segurança, não um simulacro de governo que, de norte a sul do País, o bandido faz o que quer. A lei obriga o cidadão a entregar a arma que possui para se defender e dá-la ao bandido. Os privilégios da menoridade para debutar no crime compensam tanto que os bandidos mais velhos só comandam. Isto é, quando os menores mesmos não são os chefões. As leis se engancham umas nas outras e não avançam em nada para proteger o cidadão. Será que ninguém vê que o País está um caos? Será que ninguém observa que a população está à deriva, esquecida e entregue a sua própria sorte? O que é cidadania? Não sei mais se reeducar para o bem é a solução. Não sei se ainda é possível fazer inserção social com quem faz opção pela marginalidade e ainda zomba desta sociedade. É como se o instinto de perversidade tenha crescido com o mesmo vigor do desrespeito à vida humana. Talvez a sociedade precise ter esse mesmo desapego à vida do bandido. Alagoas está caminhando para um desastre total. O que é preciso acontecer agora? Afinal, os três poderes estão sendo desafiados. E o que resta fazer? Ficar olhando pela janela vendo passar mais um sepultamento? Assistir de longe à fumaça das explosões dos assaltos terroristas? Ou escutar calado, à noite, o zumbir dos tiros assassinos? Talvez, no dia seguinte, mais tranquilo, ler no café da manhã as notícias pelos jornais. Quantos assaltaram hoje? Quantos sequestraram? Quantos mataram? O cidadão comum, assim como eu, precisa parar e pensar se é isto que deseja para a sua vida. Ou mudamos ou nos mudamos.

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