Opinião
Menores infratores, um problema maior
Soa irônica a denominação de ?da Paz? para uma secretaria num quadro de guerra unilateral, onde apenas se destacam as ofensivas de um lado em contenda; no caso, a parcela ativa nestes combates é a do crime, como toda sociedade sente na pele. Em verdade, a paz dos cemitérios parecia justificar o nome do órgão, pelo menos até sua área de responsabilidade ser sacudida por uma tremenda rebelião de menores infratores recolhidos em unidades de internação. Como que de repente o problema explodiu revelando os prejuízos sérios causados pela inação da repartição incumbida de cuidar dessa estrutura. De uma hora para outra, afloraram evidências e denúncias de todo tipo acerca do praticado na UIM (Unidade de Internação de Menores ? neologismo usado para amenizar vocábulos mais aproximados do conceito local de detenção), localizada em Maceió. A presença do Bope, chamado às pressas para conter uma rebelião de 20 jovens armados de espetos, paus e pedras, somado ao desespero gritado pelos familiares dos rebelados (afinal, sempre se teme um novo Carandiru...) despertaram a opinião pública e autoridades para a tragédia da não recuperação explícita de infratores menores de idade. Tragédia também alagoana, mas não exclusiva, pois este é um drama brasileiro. Horror antigo, basta lembrar do filme Pixote, rodado em 1981, sob a direção de Hector Babenco. Dentre as ousadias da película, usou-se como protagonista uma criança em situação de risco, Fernando Ramos da Silva, então com 14 anos, que, apesar dos esforços de muita gente (a Globo chegou a emprega-lo como ator), não conseguiu fugir a seu desiderato e o risco tornou-se fato, com a morte violenta retratada na tela refletindo sobre ele, veridicamente, em 1987. O filme, como se sabe, se origina em uma instituição que hoje seria apelidada de algo que tivesse ?internação? ou outro eufemístico vocábulo. A pergunta é: depois de 32 anos, o que mudou, de fato, entre as instituições para menores infratores retratadas pela sétima arte em 1981 e as instituições para menores infratores retratadas pela vida em 2013? Esta é a questão. Descontadas as alterações vernáculas, pouco ou quase nada avançou ao longo de três décadas. Ou estamos percebendo errado a realidade?