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Opinião

MAESTRO MANEZINHO

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De repente, quem passava pela porta do Cemitério Nossa Senhora da Piedade na última segunda, no entardecer, foi surpreendido por um verdadeiro grito de carnaval, que deixou intrigado. Muitos paravam, não acreditavam o que estava acontecendo e não era simples entender, como tamanha efervescência advinha exatamente do local em que o silêncio sempre foi a tônica. O frevo era real, não era nenhum mal-assombrado encontro de carnavalescos. Era real, era a chegada do Maestro Manezinho em sua última morada, tudo no maior estilo, mesmo com a sua morte, a batida do tambor e o som dos metais anunciavam a ressurreição do frevo nos quatro cantos do cemitério. E muita gente cantou, aplaudiu, fez o passo ao som do hino do Sai da Frente. Foi uma provocação para a mulher da Capa Preta, que não resistiu ao frevo de um dos mais tradicionais bloco de carnaval de Maceió. Manuel Tenório de Moura, era conhecido por Manezinho, faleceu aos 92 anos, bem vividos, de bem com a vida. Louco por carnaval, foi o fundador, em setembro de 1940, do Bloco Carnavalesco Sai da Frente, que organizou no bairro do Prado com um pedaço de pano que fazia as bandeiras e ia para as ruas, onde começou a arrastar uma quantidade significativa de participantes. Com sua liderança e dedicação, é um dos blocos de frevo que detêm o maior número de títulos, acumulados por 32 títulos de campeão do carnaval de rua da capital. Um dos blocos mais tradicionais e que já arrastou muita gente para a folia acompanhou o seu idealizador em seu sepultamento. O Ouricuri, bairro pobre, encravado entre o Prado e a Praia do Sobral, contava sempre com a alegria do bloco que alegrava o carnaval de rua de Maceió, que, sem a participação do bloco Sai da Frente, não tinha animação. Certa vez Denis Agra, teve uma ideia de animar as caminhadas do Freitas Neto, candidato a vereador pelo PCB, que saía da ilegalidade, e chamou Manezinho com sua orquestra de frevo para fazer um arrastão no comércio com o nosso gordo candidato do Partidão. Nosso maestro não contou duas vezes, acertou a apresentação e fez mais, na ausência de músicos, arregimentou os integrantes da banda da PM para tocar na orquestra que iria animar a candidatura comunista. Sou agradecido por ter desfrutado da sua amizade e de conhecer uma figura integrante do nosso povo de grande relevância para a música popular em AL. Manezinho é uma figura que deve ser sempre lembrada pela contribuição ao frevo que não é só de PE. Salve o Maestro!

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