Opinião
Pesquisas e mais lenha na fogueira
Dentre outras questões, a mais nova pesquisa de opinião levada ao conhecimento do público confirma duas coisas: o favoritismo de Dilma Rousseff e o acerto da tática de Marina Silva. Ambos são elementos dinâmicos, como tudo em um levantamento de intenção de votos colhido a um ano da realização das eleições; naturalmente, tudo pode acontecer nessa dúzia de meses, até mesmo reafirmar, nas urnas, o quadro dos dias em curso. Contra as expectativas das oposições, aí compreendidos alguns dos principais veículos de mídia sediados no eixo Rio/São Paulo, a presidente vai recuperando terreno e preservando seu favoritismo mesmo sob uma realidade complexa e permeada de dificuldades. É de se esperar, como avaliado dantes aqui neste espaço editorial, um recrudescimento da campanha já encetada (há muito tempo) por vários pesos-pesados da chamada ?grande imprensa? contra Dilma e seus aliados. Vem chumbo ainda mais grosso aí. Contra as expectativas de quem considerava Marina Silva uma celebridade um tanto quanto ingênua, ?pura e besta?, a tática de ?renunciar? à candidatura só tem fortalecido seu nome como principal personagem para encarar Dilma Rousseff. Passados os primeiros 30 dias do ?abandono? de sua postulação ao Planalto, a ex-senadora segue firme no segundo lugar e como único nome com potencial para puxar o segundo turno. Por sua vez, o ninho tucano está em polvorosa. Não levanta voo de forma nenhuma o ungido Aécio Neves, nome preferido e lançado pessoalmente por Fernando Henrique Cardoso há um ano, antes mesmo do segundo turno das eleições municipais de 2012. Depois de 12 meses de campanha antecipada, o pelanco mineiro consegue voar mais baixo que o desgastado José Serra ? eterno candidato que, apesar de preterido e engaiolado pelo ex-presidente FHC e pelos principais caciques do PSDB, já exibe seu tradicional sorriso soturno para os fotógrafos de plantão. Infelizmente, o País continua sofrendo os efeitos nocivos da antecipação das campanhas eleitorais, com os governos sendo sugados pelo processo cruento de garantir seus espaços nas urnas que se avizinham; simultaneamente, as oposições aguçam sua miopia política em termos das ações do governo federal, buscando criar problemas ao bom desempenho do País numa exacerbação da estupidez do ?quanto pior melhor?. E a cada pesquisa, o resultado será, independente do resultado, lenha para a fogueira.