Opinião
BANALIZEMOS O BEM
Na visão do historiador inglês Timothy Gorton Ash prevalece, na Alemanha de hoje, a ?banalização do bem?. Logicamente, comparando aos demais países da Comunidade Europeia. E o que dizer de nosso país na realidade atual, quiçá da nossa Alagoas? Um certo editorial da Gazeta alerta para a ?banalização do mal?. A reação do Conselho Estadual de Segurança convocando os comandantes de batalhões para ouvi-los e cobrar atitudes mais fortes para com nossa segurança, não pode ser considerada como uma ingerência política. A meu ver, não se conhecem os problemas dessa área, em uma comunidade, ouvindo-se, apenas, os mais altos escalões. Mas o corporativismo, mais do que nunca, deve ser colocado de lado e dar lugar a atitudes mais republicanas. Não é hora de suscetibilidades feridas e sim de evitar novas feridas no seio de nossa sociedade e dar valor ao maior bem que recebemos de Deus: a vida. É hora, sim, de todos nós, de todas as classes e credos, quem quer que sejamos, engajarmo-nos numa cruzada pela banalização do bem. E para tal, não se concebe, neste momento, a classe militar acenar com uma paralisação. Se, em trabalho diuturno, não tem dado conta da criminalidade que nos aflige, imaginemos com um aquartelamento. É hora de toda a tropa mostrar a fibra exemplificada por seu patrono, Duque de Caxias. Não é hora para revanchismos políticos ou reivindicações de classe e sim de darmos as mãos em prol do bem comum. Infelizmente, é para os senhores militares que sobra a maior cobrança, pela escolha que fizeram de serem os guardiões de nossa de tranquilidade. Se o papa Francisco, revolucionando a Cúria, pede que bispos, arcebispos e padres saiam todos, de suas paróquias, para cuidar dos seus rebanhos, o que dizer de nossos policiais que se encontram em funções administrativas diversas? Eles são os corresponsáveis, com os pastores, pelo cuidado com o rebanho. São nossos cães de guarda, com todo respeito pela comparação. E as ovelhas estão sendo abatidas pelos lobos vorazes, não cabendo, no momento, análise mais profunda de suas motivações. Vidas estão sendo tiradas com a maior naturalidade. Como se matassem baratas. E, ao final, só nos resta a culpa por termos saído de casa, quando não a invadem. A culpa por termos reagido num momento de impulso. E assim, banaliza-se o mal. A hora é de guerra. Engajemo-nos todos para derrotar o mal e em prol da ?banalização do bem?.