Opinião
DE COADJUVANTE A PROTAGONISTA
Após o episódio clínico que envolveu o Cícero em fevereiro passado, culminando com uma cirurgia cardíaca no H-Cor de São Paulo, nossa ida àquela cidade tornou-se frequente. A cada dois meses, Cícero lá se hospitaliza, toma um novo medicamento ?tônico cardíaco?, faz exames de rotina, enfim, uma minuciosa revisão. Nesta última ida, no início de outubro, passei de assistente a protagonista. Há muitos anos, sou portadora de uma hérnia de hiato. É uma patologia muito frequente e assintomática em várias pessoas. Uma parte dos portadores até a desconhece. Estava acompanhando os procedimentos em meu marido, quando comecei a tossir e apresentei um quadro de bronco espasmo. Tossia incessantemente e faltava-me ar. Dirigi-me ao pronto-socorro do próprio H-Cor. Feitos os exames, ficou comprovado que o caso era cirúrgico. Precisava corrigir aquela hérnia. O fato é que mudei de lado. Passei de médica a paciente! Quando as circunstâncias se invertem, é que sentimos a necessidade de profissionais carismáticos e comprometidos. Obviamente, com reconhecida capacidade. Operei-me naquela conceituada unidade hospitalar onde colegas, referências em suas especialidades, dedicaram-me especial assistência. Competentes e, sobretudo humanizados assistiram-me com notório carinho. Enfermeiros e técnicos acolheram-me com solidariedade e especial atenção. Em momentos estressantes, vários episódios fizeram-me rir: enquanto estava em observação clínica, outros pacientes eram examinados em quartos vizinhos. Um deles, sr. Marcos de 73 anos, falava tão alto que nos permitia ouvi-lo: ?Ficar velho é um péssimo negócio. Louco quem chama isto de Melhor Idade?. Ri tanto que voltei a tossir. Perguntava-lhe o médico: O sr. pratica algum esporte? Hilariamente, respondeu: Os três horários! Todos que o ouviam ficaram curiosos: Estresse, Ansiedade e Insônia. Ouviu-se uma sinfonia de risos. Já restabelecida e às vésperas de ter alta, vesti meu jaleco médico, e saí anonimamente, para dar um giro no Shopping Center Paulista, próximo ao hospital. A mente aliviada ajuda a recuperação! Para que não fosse notada, pendurava na porta uma placa: ?Paciente em Procedimento. Entrada proibida?. E em poucos minutos voltava reanimada! Não sigam este meu mau exemplo, pois como médica pude fazer uma avaliação criteriosa das minhas fugas. Uso as palavras de sr. Marcos. É um péssimo negócio ?passar de coadjuvante a protagonista?.