Opinião
Casa de Tavares Bastos e os esc�ndalos renitentes
Ninguém pode considerar surpreendente a decisão do Ministério Público Estadual em solicitar o afastamento da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas. Um escândalo só, único que fosse, já seria bastante para justificar tal iniciativa. O problema, como todos sabem, porém, é muito mais grave. Trata-se de uma repetição tresloucada, incontrolável, de escândalos. Essa continuidade escandalosa é apenas mais um absurdo. Outros despautérios são os valores amealhados e as formas descaradas de apropriação dessas somas. Seriam boatos maldosos? O antigo inquérito da Operação Taturana e as atuais denúncias tornadas públicas pelo deputado João Henrique Caldas têm o condão de confirmar, pelo menos pelo que consta em documentos, a dimensão do desastre. A expressão usada pelo procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, proporciona um dimensionamento adequado a esse estado de coisas: ?Enjoado?, esta foi a expressão do líder do Ministério Público ao traduzir seu sentimento depois da leitura dos autos e depois de ter ouvido os depoimentos de personagens envolvidos. O procurador-geral, firme em sua posição, informa que o MPE respalda o pedido de afastamento dos membros da Mesa Diretora em ?provas contundentes?. A ação, conforme divulgado pela mídia, pede também que os oito deputados componentes da atual Mesa sejam afastados de seus mandatos. Dentre os números que mais chamam a atenção, destaca-se o montante pago pela Assembleia para seus comissionados: R$ 7 milhões até julho deste ano. Poder-se-ia dizer que tal valor seria legal. Pode ser; tudo é possível. Mas seria ética tamanha movimentação de recursos para custear a folha de pagamento de serviços transitórios prestados em apenas 27 gabinetes? Naturalmente, os componentes da Mesa Diretora têm todo o direito de se defenderem, tanto através da contestação midiática como por ações jurídicas de defesa. Mas todos os componentes da Casa de Tavares Bastos, e não apenas os oito cujos afastamentos foram confirmados ontem, precisam entender que ? todos ? têm o dever de não só se explicarem, mas de, em primeiro lugar, fazerem estancar esta sangria de recursos que insulta o povo alagoano.