Opinião
POR QUE CHORAR? APENAS, AT� BREVE!
Dois de novembro faz parte do calendário tradicional do povo brasileiro. Trata-se de um dia do ano reservado para reverenciarmos aos que partiram para outras moradas desconhecidas para quem ainda habita neste planeta terráqueo. Os campos santos conhecidos por cemitérios, com certeza, estarão repletos de pessoas que farão visitas aos locais onde foram sepultados seus entes queridos. Saulo de Tarso, mais tarde Paulo, seguidor de Jesus Cristo, assim expressava-se: ?a morte é o salário do pecado?. Caso o homem não houvesse pecado certamente não morreria. Mas o próprio Cristo passou por esse processo metamorfósico existencial. Bom seria não existir morte. Porém a própria natureza faz parte deste ciclo irreversível que vai do nascer ao crescer e depois morrer. Se não morrêssemos, seriamos deuses. Mesmo assim morreríamos, como desapareceram os faraós e imperadores romanos que se intitulavam semideuses. Há pessoas que se preocupam com outra vida depois desta; outras, pouco importa. Em séculos passados, monges cristãos conhecidos por trapistas, na parte interna dos mosteiros em locais reservados cavavam diariamente um pouco das suas futuras tumbas e nas paredes dos prédios existiam gravuras com caveiras humanas com a seguinte inscrição: ?lembra-te homem que no amanhã, serás igual ao que teus olhos acabam de fitar?. Diante dessas convicções, concluímos que a criatura humana não passa de um viajante que perambula procurando um porto seguro, no entanto, longe está da sua realidade final. É praxe nas homenagens fúnebres antes do corpo descer à sepultura, alguém falar conectando ao discurso a seguinte expressão: ?Receba nosso adeus e saudades imorredouras?. É um momento de contrição e dor. Na nossa opinião, apenas clamor ao Todo Poderoso pela paz à família enlutada e um até breve ao espírito daquele que já se encontra na eternidade. Fomos criados e considerados imagem e semelhança do nosso Criador. Considerando as teses teológicas, fundamentos filosóficos e religiosos que buscam provar a origem e o final do homem, cremos pela fé e convicção que a originalidade do ser humano é o pó e ao mesmo deverá retornar, prevalecendo a perenidade espiritual que certamente voltará para sua origem. É mistério e por ser obscuro só tornar-se-á luz após a viagem derradeira. Todos estamos no aguardo do chamamento para o embarque, uns bem próximos, enquanto outros para o porvir incerto e não sabido. Contudo, verdade que ninguém ficará isento. Todos morreremos.