Opinião
VIVER E MORRER S�O NOSSOS DESTINOS
Ontem, foi Dia de Finados. Vamos ao cemitério rever nossos mortos queridos. Familiares e amigos que marcaram nossa vida. Quando fazemos essas visitas, no silêncio e na paz do local, vemos como o tempo passou! Ele correu lento, silencioso e constante. E ali, diante daquele túmulo, ficamos a recordar os momentos vividos com eles, com nossos entes queridos que se foram; nossos pais, irmãos, avós, tios, amigos inesquecíveis e filhos até, cujas amizades ficamos a recordar com relembranças de seus objetos, fotografias e momentos que guardamos com amor. A morte é assim, a chave do segredo da vida. Da vida vivida em sua plenitude. É vivendo que amamos a vida. E se o sofrimento, a dor, as injustiças, os absurdos que encontramos ao longo do caminho são tropeços inevitáveis, a morte é a certeza que nos chegará um dia. Quanto mais nos envolvemos no ritmo superacelerado da vida moderna e de seus confrontos materiais, menos tempo temos para pensar e viver. Há muitos séculos um homem sábio chamado Confúcio já nos alertava que a vida é bastante simples e só se torna complicada porque insistimos em complicá-la. A morte assusta e amedronta a maioria das pessoas. Enquanto ela não chega, vamos caminhando, bebendo um lindo pôr do sol, e descobrindo cada dia coisas boas e olhando a vida bem de frente. Ame, assim, a vida com luta e seriedade, e ela saberá retribuir, dando-lhe em troca a saúde, a paz de espírito, o bem-estar e o afastamento da morte. A esperança e a confiança em Deus jorra sempre luz nos caminhos por onde passamos. ?Cada minuto de nossa vida é um milagre que não se repete? ? cantou Fernando Pessoa. Não estamos em tempo de desperdiçar. Vida é prêmio, é presente de Deus. Aproveitem enquanto a morte não chega, pois, com absoluta certeza, um dia ela chegará. Depois da morte, vem o silêncio, a saudade, o vazio. A saudade só floresce na ausência. A chegada e a partida fazem parte da nossa vida. Fica a saudade de quem partiu. ?Existe o tempo de nascer e o tempo de morrer? (Eclesiastes 3.1.2.). A vida é como uma peça de teatro termina. Como uma sonata termina. Minha saudade pela partida de dois caríssimos amigos de mais de 60 anos que partiram e nos deixaram para sempre: Segismundo Cerqueira Filho e José Ricardo. Que eles descansem na paz do Senhor. Esse é o destino de todos nós.