Opinião
A necessidade de ser dado um basta
Mais uma vez, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas é afastada por decisão judicial. O motivo é o mesmo: acusações de malversação dos recursos públicos. Os montantes também seguem sendo aterradores, na casa dos sete dígitos. Milhões, segundo as denúncias renitentes, estariam sangrando pelos métodos usuais, banalizados em pagamentos absurdos a ?servidores? e ?assessores?, dentre outras fórmulas conhecidas para raspar o taxo do erário até o fundo. Sem pena, sem medo, sem qualquer moderação. Não é de somenos importância lembrar que nesse momento no qual a Justiça alagoana afasta, novamente, a Mesa, ainda tramitam nas diversas instâncias judiciais os processos anteriores, decorrentes da famosa Operação Taturana. Antes, portanto, de serem exarados os veredictos definitivos sobre o escândalo antecedente, sobrevêm um novo escândalo, semelhante, replicador do âmago dos malfeitos anteriores. Indubitavelmente, trata-se de um desplante para com a lei e para com a cidadania. Um insulto, puro e simples. Naturalmente, os acusados da hora podem até provar suas inocências. Por que não? Nada é impossível. Mas, mesmo em se provando que essa voraz movimentação de dinheiro está rigorosamente dentro da lei, restará ? irrespondível ? a questão ética. Como se pode justificar dispêndios tão volumosos de um poder composto apenas por 27 cadeiras e cujo único centro de funcionamento resume-se a legislar, ocupando fisicamente apenas quatro prédios de dimensões reduzidas? Injustificável. Esta é a questão. Não basta esgrimar argumentos formais e/ou legais em defesa da gastança. O apetite pantagruélico do Poder Legislativo alagoano é algo a exigir tratamento urgente. Trata-se de um caso de emergência, de vida ou morte (em termos de representatividade ética de um poder constituído). Às portas de uma nova eleição, faz-se necessário algo mais que reflexão por parte dos eleitores. É indispensável agir, se posicionar na hora do voto. Sem este gesto, tão simples e avassalador, de votar conscientemente, implacavelmente, esse degradante estado de coisas jamais se alterará.