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Dinheiro de pl�stico e a mais velha profiss�o

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Comprovando o quão irresistível é a escalada do ?dinheiro de plástico?, a chegada oficial do cartão como forma de pagamento para serviços de prostituição ocupou justos espaços na mídia tupiniquim. Apresentada como experiência pioneira, realizada em Minas Gerais, a novidade teria se instalado, segundo depoimento emocionado da presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), ?graças a uma parceria com a Caixa Econômica Federal, o primeiro banco a reconhecer a nossa profissão, sem preconceito?. Segundo as reportagens, já nos primeiros dias da inovação, duas dezenas de profissionais do sexo já estariam devidamente cadastradas e equipadas com suas máquinas leitoras de cartão. Cartões de crédito e débito, portanto, agora podem ser usados à larga no pagamento daquela que é considerada, mais pelo folclore que pela sociologia, a ?mais antiga profissão do mundo?. Em verdade, a prostituição, há tempos, já se remunera também pela via eletrônica, pois esse processo é de uso corrente em boates e outros tipos de estabelecimentos voltados a esse milenar comércio. A novidade está no uso personalizado, individual, pela(o) profissional. No campo específico dessa individualidade, dois aspectos chamam a atenção, ambos ligados ao mesmo item: o relaxamento (quebra, de ponto de vista formal) da privacidade tão característica desse tipo de atividade. Questão nova é a identificação clara do usuário(a) dos serviços de prostituição. A cada extrato mensal lá estará cravado o usufruto do labor horizontal: identificação do(a) fornecedor(a), preço, dia, hora... É previsível que essa transparência afete, mais cedo ou mais tarde, relacionamentos convencionais e abale reputações. Nova questão é, também, o mapeamento pecuniário de quem presta o serviço, cujos rendimentos que entrarem pela via do cartão estarão expostos aos olhares dos poderes públicos, por exemplo, através do exercício de outra antiga profissão: o fisco. Daí, surge outro aspecto instigante: tributar-se-á, como e quanto, a prestação de serviços sexuais? Apesar de não ter sido noticiado com idêntico alarde ao dado ao uso dos cartões, é evidente que o velho e implacável leão da receita fará também a rota do trottoir.

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