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No Pilar, as v�timas v�o de bagres a pessoas

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Historicamente, as principais vítimas no município do Pilar foram os frutos da lagoa, em desenlace não criminoso, senão o cumprimento da saudável rede alimentar. Além da predação natural feita entre os muitos espécimes animais, boa parte desses caçadores era, por sua vez, predada pelo animal homem, este também cumprindo seu desiderato ecológico. Vitimados eram, dentre outros, camurins, carapebas, sururus, caranguejos, camarões d?água doce ? e o mais famoso de todos naquele perímetro: o bagre do Pilar. Capturados desde os tempos imemoriais pelos selvícolas pré-1500, passaram a sê-lo também pelos colonizadores desde o achamento do Brasil pelos lusitanos comandados por Cabral. Em função da desordenada explosão demográfica, particularmente a partir de meados do século 20, o que era predação natural, sustentável, desandou no que poderíamos classificar como um crime ecológico. Antes da chamada ?pesca predatória? ter registros dignos de nota, a mortandade prematura e inútil dos frutos da lagoa e dos rios foi desencadeada pela poluição ambiental em suas formas industrial e doméstica. Desgraçadamente, nos últimos anos, o município do Pilar tem sido vítima de uma enchente de homicídios. É a poluição ética e moral que assola o ambiente da segurança pública em Alagoas que se manifesta, de forma inusitada, contra uma comunidade historicamente pacífica, terra mãe de personagens notabilizados pela cultura, pela ética e pelo dinamismo. Pilar exibe em seu currículo de personalidades nativas, dentre outros luminares, o notável médico e antropólogo Arthur Ramos, o jornalista e governador Costa Rego (notabilizado, além de outro méritos, por seu combate ferrenho ao crime em sua gestão no Palácio dos Martírios), o folclorista Ranilson França (prematuramente morto e que se orgulhava de ser filho da ?Chã do Pilar?), o desembargador aposentado Antônio Sapucaia... É inconcebível, e inaceitável, que o desmando, a violência e a preponderância do crime organizado, nos dias em curso, obrigue ao juiz da comarca local ter de se deslocar até Brasília para pedir socorro. Uma realidade intolerável!

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