Opinião
BEAGLES, LUISAS E REINALDOS
Ter opiniões diferentes sobre determinados assuntos é comum e desejável. Afinal, a diversidade em termos sociais e culturais traduz a riqueza. Estas diferenças andam tão à flor da pele no Brasil, que os simpáticos beagles jamais imaginariam que iam ficar bem no meio de uma delas, tão acirrada. De um lado, os defensores dos animais alegam maus tratos e experiências cruéis. Foram denúncias como estas que dificultaram o uso de animais nos circos, por exemplo. Todos gostavam de ver o leão, mas não tinham ideia do que ele passava para fazer o show. Cada um tem o direito legitimo à sua bandeira. Parece que o caso do Instituto Royal já estava no Ministério Público há um ano, sem desfecho. Do outro lado, levantam-se vozes em oposição contundente. Alegam que não existia nada de anormal no instituto invadido e vandalizado, e que os benefícios justificam as práticas, mesmo que alguns deles sejam estéticos e cosméticos. Banalizam a causa e alertam que os ativistas são incoerentes. Cada um com a sua bandeira. O debate enriquece e amadurece, desde que feito em bom nível. O sofrimento infligido intencionalmente a um ser vivo, para atender a certos propósitos, realmente não é novidade, seja para animais ou pessoas. Quem faz sempre acredita que está fazendo algo elevado. Aconteceu por exemplo, com Amarildo para informar onde estava o paiol de armas dos traficantes. Objetivo compreensível? Creio que sim. Método aceitável? No meu entender não. Aconteceu também nos porões do regime militar. Quem praticou imaginava estar fazendo o bem para seu país, assim como os que sofreram também imaginavam. O que acontecia era por isso justificável? Certamente, não. As pessoas possuem o direito de acreditarem no que quiserem, desde que não prejudiquem ou imponham aos demais. Mas quem deveria moderar esta situação, mais um vez falhou em nos preservar dos excessos de ambos os lados. Falhou como tem falhado tantas vezes em nos proteger dos assaltos, dos acidentes de trânsito, dos assassinatos, dos corruptos, dos linchamentos públicos, da falta de saúde, educação, ordem e progresso. Com esta falha, os governos tem jogado as pessoas contra as outras, que passam dos limites cometendo abusos de todo tipo, protagonizando tantos absurdos que o caso dos cãezinhos torna-se uma aparente tolice que guarda grandes questões. Entre Luisas e Reinaldos, nós somos os beagles.