Opinião
As novidades que podem vir da mesmice
Ontem, mais uma pesquisa de opinião pública foi divulgada. Recebida com indisfarçável tristeza pelos meios de comunicação irradiantes do eixo Rio/São Paulo, a enquete confirma a tendência apontada nas consultas anteriores. Dilma Rousseff se mantém como favorita, podendo ganhar no primeiro turno, enquanto seus adversários mais afamados não conseguem decolar, nem mesmo sequer logram um pulinho que seja digno de nota. Se os oposicionistas têm razão para acabrunhamento, os situacionistas não têm motivo para considerarem a partida ganha. Muita coisa ainda pode acontecer, e quem quer que tenha um mínimo de experiência percebe que são imensas as chances de se algo não surgir por acaso, algo ser armado. Lembram-se da bolinha de papel que, ao alcançar a calva do então candidato José Serra, foi transformada [pela mídia engajada] numa rocha, quiçá um projétil, de alto poder destrutivo? O próprio favoritismo da presidente é o chamariz para aratacas de todos os feitios. E, além das armações, a economia segue sendo o elemento decisivo para quem está no governo. Enfim e em resumo, mudanças devem ser esperadas. O quadro apresentado pelas pesquisas, porém, não pode ser desprezado nem mesmo menosprezado, pois contém indicações importantes para o momento presente ? dados que, devidamente interpretados, influirão na tomada de decisões por cada candidatura, elemento estratégico de óbvia importância em qualquer campanha. E o que dizem esses dados sobre o ?agora? dos candidatos? Dilma precisa consolidar sua posição, pois, apesar de pela aritmética poder vencer no primeiro turno, ainda não se firmou no patamar dos 50% (o da confortabilidade); Aécio e Eduardo Campos, apesar dos esforços de cada um, patinam; Serra continua ? sem querer querendo, fazendo sombra sobre a candidatura do colega de poleiro tucano; Marina permanece exibindo mais força, individualmente, que Aécio, Campos e Serra. Trata-se de um cenário com todas as condições de ser acometido por abalos sísmicos, em primeiro lugar no território das oposições, pista no qual os semáforos piscam o laranja-avermelhado para Aécio/Serra e Campos ao mesmo tempo em que esverdeiam para Marina, a morena que se pintou de PSB, sintomaticamente, em tempo hábil para ser candidata. Vem coisa por aí...