Opinião
A PESQUISA E O AMOR AOS ANIMAIS
Você acredita em coincidências? Talvez sim, talvez não. Há cerca de um mês, eu acabara de ler o romance Os cães nunca deixam de amar, quando tomei conhecimento de que um grupo de ativistas invadiu um centro de pesquisas, em São Paulo, para resgatar cães da raça beagle, que eram utilizados para testes de produtos farmacêuticos antes de serem utilizados em humanos. Acontece que o livro cuja leitura havia concluído conta a emocionante história de uma advogada, seu adorável cão beagle e um grave problema de saúde que a acometera. A personagem recebera o diagnóstico de um câncer de mama, passou por uma mastectomia, seguida de sessões de quimioterapia. O cãozinho, irrequieto, foi companheiro de todas as horas: de ânimo e de desânimo, de alegria e de tristeza, de esperança e de otimismo. Ela aprendeu com seu beagle o verdadeiro significado da palavra amor. Nele, observou o apego, alegrias e tristezas, medo e hostilidade, sensibilidade à dor e uma acentuada percepção sensorial. Leu, na época, que exames de ressonância magnética atestam semelhanças entre cães e humanos em limitadas regiões cerebrais. Isso ampliou seu amor ao beagle, inseparável e alegre companheiro que muito ajudou em sua cura, melhorando seu astral. É impossível negar que a evolução da ciência médica muito deve a estudos realizados em animais. Com objetivos científicos, esta prática vem sendo empregada desde a Antiguidade. Conta-se, que o famoso fisiologista francês Claude Bernard dizia que o uso de animais vivos era indispensável para experimentações e, por isso, ele mantinha um laboratório e um biotério para criar esses animais nos porões de sua casa. Uma amiga minha cria uma cadelinha que, com o passar do tempo, passou a ser o xodó de sua casa. Tem direito a colo, carinho e muito amor. Serve de companhia e criou extraordinário vínculo de amizade. A dona da casa, portadora de um processo alérgico, levou sua médica a sugerir afastar a cadelinha de seu convívio. Lágrimas e desgosto. Estudos recentes divulgados por grande número de pesquisadores sugere substituir os animais por modelos anatômicos e testes laboratoriais. Segundo lista divulgada pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal existem, no País, 395 instituições que usam animais em pesquisas. É necessário que sejam fiscalizadas, que leis mais rigorosas controlem seus funcionamentos, que não sejam admitidos maus-tratos aos diversos animais utilizados e que sejam punidos os infratores.