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Opinião

Caindo mais fundo no po�o sem fundo

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Como se diz no popular, ?além de queda, coice?. Ou seja, como se não fossem suficientes as terríveis bordoadas sofridas por Alagoas nos rankings sociais mais pesquisados, como criminalidade, deseducação e doenças, a situação parece piorar mais ainda quando um desses grandes segmentos é observado em seus detalhes. Assim foi quando se observou o cruzamento do segmento de vítimas de crimes com o item cor da pele. E aí nosso estado despencou feio. Muito feio. Segundo os dados, não por coincidência divulgados na véspera do 20 de Novembro, coletados e analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Alagoas lidera ? com pavorosa dianteira ? o ranking de homicídios cometidos contra negros no Brasil. Além disso, o trabalho indica também que ?os negros alagoanos têm a maior perda de expectativa de vida do País?. Terrível. Injustificável. As informações fazem parte da pesquisa intitulada ?Vidas perdidas e racismo no Brasil?. No estudo, está indicado que ?para cada uma pessoa não negra vítima de homicídio em Alagoas, 17,4 negros são assassinados no estado. É a maior proporção de negros mortos no País?. Como e por que esta tragédia acontece em nosso estado? Os pesquisadores do Ipea avaliam que ?as populações mais vulneráveis socioeconomicamente são aquelas sujeitas a uma maior probabilidade de vitimização violenta, em face dos menores níveis educacionais, maiores dificuldades de acesso à Justiça e a mecanismos de solução de conflitos, menor acesso a mecanismos de proteção e, finalmente, menor flexibilidade para residir e frequentar lugares menos violentos?. O estudo aponta também para ?a baixa oferta de trabalho à população negra, assim como a maior dificuldade de ascensão na carreira profissional como fatores que favorecem a maior vitimização entre os afrodescendentes?. Mas, como se percebe, essas são, grosso modo, condicionantes nacionais, traços negativos comuns a todo o Brasil e não uma particularidade alagoana. Algo mais, em Alagoas, nos puxa mais para o fundo do poço das tragédias sociais. Esta é a questão, e muito séria. Para respondê-la, será necessária uma radical mudança de visão, compreensão e postura política. E o tempo trabalha contra os alagoanos.

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