Opinião
�tica: dois pesos e v�rias medidas
Escândalos não têm faltado no Brasil nos últimos anos. A mídia está recheada deles, espocados em praticamente todos os estados, com especial destaque para o eixo Rio/São Paulo e, naturalmente, Brasília. Nalgumas Unidades da Federação, inclusive, surgem frequentemente denúncias de falcatruas de dimensões pantagruélicas, continentais, em geral desproporcionais ao peso econômico do estado. Em Alagoas, por exemplo, a Assembleia Legislativa e suas ocorrências espetaculosas garantem posição destacada no ranking da corrupção nacional. O escândalo da chamada ?Máfia do ISS? é mais um portentoso trambique contra o erário que, novamente, leva o poderoso São Paulo aos píncaros das maracutaias brasileiras. Mas não é fato inusitado, nem isolado, apesar da memória da ?grande? mídia ser curta quando se trata de atos pecaminosos praticados pelo partido que domina a política estadual paulista há 18 anos. Por exemplo, alguém ainda se lembra do caso apelidado de ?Rouboanel? e/ou ?Robanel?? Nunca mais a ?grande? mídia tocou no assunto. Relembremos: um indivíduo identificado como ?Paulo Preto?, tucano de alta plumagem pilhado pelos próprios tucanos num imbróglio do sumiço de R$ 4 milhões da caixinha de campanha de José Serra (em 2010), para se livrar da pressão dos colegas de poleiro sobre o desaparecimento dessa módica quantia, jogou no ventilador os dejetos de operações escusas que teriam sido perpetradas durante a gestão tucana paulistana, nas curvas (nada santas) do chamado Rodoanel. Recordam-se de que algumas revistas semanais chegaram a dar capa com o escândalo Rodoanel (Roubanel)? Mas, assim como surgiu de repente, repentinamente desapareceu das pautas dos principais veículos de comunicação localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sumiu a ponto de ninguém ter notícias de a quantas anda o processo (ou não existe processo?) sobre o escândalo. Agora, é a vez da arapuca do ISS paulistano. Mas, considerando que a ocorrência se deu na administração tucana, quem aposta uma pataca no encaminhamento desse inquérito? Pelo andar da carruagem, apenas os casos que possam envolver petistas e seus aliados continuam sendo filhos únicos de uma ética caolha.