Opinião
A CRIAN�A E O DESENHO ANIMADO
Quando um sujeito passa dos 60 e continua a gostar de desenho animado, isto pode significar uma coisa: o desenho, hoje comumente chamado de cartoon, conseguiu, mais que outras artes do alvorecer do cinema, uma evolução inteligente e das mais extraordinárias. O desenho que surgiu desajeitado, numa única cor, hoje ganha requinte de longa-metragem. E embora os clássicos, como Tom e Jerry, Pernalonga ou mesmo Popeye, continuem a agradar do mesmo jeito, o mundo contemporâneo provou sua paixão pelo desenho quando surgiram temas adultos, tratando de política, questões sociais, relações familiares sem receio de, vez por outra, deixar um palavrão ou uma cena de sexo aparecer como no cinema. É, no entanto, as deformações dos estilos mais caricatos que nos chama a atenção, sobretudo quando representa um personagem público importante, como é o caso dos Simpsons. O novel personagem continua com o formato ?Simpsons?, porém o telespectador percebe de quem se trata. O cinema concebeu joias raras como: A Noiva Cadáver, A Pequena Loja de Suícidios, Ratouille, Shrek e tantos outros. Porém, não podemos esquecer as produções fascinantes oriundas dos Disney Studios, sobretudo o clássico Fantasia. Já no desenho infantil, estes a que eu assisto com o meu neto de dois anos e meio, a partir das 6h no Nickelodeon, é preciso observar como a criança reage ao que existe de melhor nestas apresentações: a interatividade. O pocoyo, por exemplo, é um menino com, talvez 2 anos, com um chapéu de coco e os olhos pequeninos; é uma animação em 3D, que parece massa de modelar. Este personagem precisa sempre ouvir a voz o telespectador orientando a sua ação. Entre os seus companheiros, estão a Helen, uma elefanta cor-de-rosa e o pato, que parece sempre estar abusado. Outros desenhos no mesmo gênero, como Peppa e sua família de porquinhos prendem a atenção da criança, tanto pela leveza da narrativa, como pelas ações em família, o que torna o desenho muito vivo e real. Mas existem outros como George, o curioso, que mesmo na figura de um macaquinho responde às mesmas curiosidades e reinações do pequeno que assiste. Enfim, não sou especialista no assunto, mas acredito que o desenho hoje, mais que qualquer outro entretenimento infantil, precisa preencher os espaços vazios que a educação familiar negligencia. O desenvolvimento da criança, sozinha, presa num apartamento, na ausência dos pais que trabalham exige até mais que uma tela de TV.