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Opinião

COMENDADOR MANEZINHO

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As festas de Momo do próximo ano carregarão o peso da perda de um dos seus mais dedicados e entusiasmados carnavalescos: Maestro Manezinho. Sua vida foi pautada na ética do cuidado, da solidariedade, do espírito comunitário e na dedicação à música, em especial ao frevo e às festas de Momo. Carnavalesco de excelência sem par, sua paixão e sua alegria regiam a sua alma gigante a perpetuar a sua marca que, com certeza, se manterá viva entre nós. Maestro Manezinho, homem de bem com a vida, pai de extremo amor, fiel companheiro da sua querida Pompeia, que, com tanta paixão, viveram os carnavais saudosos e, com tanta sabedoria e dedicação, souberam manter vivo o nosso frevo, no meio do estrondoso apelo tecnológico da modernidade, a desqualificar as nossas raízes. No período momesco, sua casa, no Prado, se transformava num verdadeiro Palácio do Frevo. Transformava-se no quartel-general do Bloco Sai da Frente, com salas repletas de instrumentos musicais, movimentos intensos de músicos, aguardando serem organizados e conduzidos aos diversos espaços, onde as Festas de Momo iriam acontecer. Ele era o menestrel, a Patente Maior do Frevo de Alagoas. Quem não conheceu ou mesmo ouviu falar no Maestro Manezinho? Se há os que o desconhecem, estes podem sentir-se menos ricos de cultura por não terem vivido de perto com essa figura tão especial, de singular talento e amor pelo frevo e pela sua terra. Ele foi uma espécie de mestre e guia dos meninos do Pinto da Madrugada. Era um dos seus comendadores mais queridos. O Pinto tem vivido grandes perdas. Nos últimos anos, sua alegria e colorido na avenida vêm trazendo um tom de saudade e um aperto no coração, pela falta de foliões tão queridos que se foram. Mais uma vez, o próximo desfile, quando o Pinto estará debutando nos seus 15 anos de avenida, os meninos, guardiões do frevo, estarão de coração apertado porque naquela madrugada não escutarão o sonoro ?Sai Frente que eu já cheguei para abrir o carnaval!?. Neste instante, certamente, farão um momento de silêncio e, com lágrimas nos olhos, reverenciarão o grande Comendador Manezinho que, do céu, ao lado de Marcial Lima e Edécio Lopes, lançarão sobre a avenida raios de sol em ritmo de frevo. O Pinto já se prepara e se veste de debutante, faceiro e colorido. Mais uma vez, honrará a sua missão de levar multidões a viver a alegria da verdadeira natureza humana, como seres coloridos, alegres, criativos, espontâneos, pacíficos e direcionados ao bem. No céu, a representação do Pinto cresce. As bênçãos e proteção chegarão até nós em ritmo de valsa frevante de alegria.

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