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Opinião

DO MEDALH�O DO MACHADO � PAPUDA

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Adolf Eichmann, carrasco nazista sequestrado de seu esconderijo na Argentina pelo Mossad e levado clandestinamente para julgamento em Israel, não poderia jamais imaginar que alguma compreensão sobre sua atuação no holocausto surgisse de uma reverenciada pensadora judia. E veio de Hannah Arendt, judia fugida de Berlin e aprisionada em Campo de Concentração na França, de onde escapou para os EUA antes de ser eliminada. Mas isso não a impediu de manter seu pensamento livre e independente ao publicar A Banalidade do Mal,obra que afrontou seus amigos mais próximos e a colônia israelita. O filme, que revisa essa peculiar fase de sua vida, marcou o alvissareiro retorno do Cine Sesi Pajuçara, primorosa iniciativa de Milton Pradines e companheiros, traz uma síntese de seu pensamento: a execução do mal em sua amplitude máxima, não restringe-se a uma mente demoniacamente criminosa, mas pode ser perpetrado por qualquer ser humano normal. O que poderia impedir Eichmann e outros carrascos nazistas, seria desobedecer às ordens superiores, ter resistido, ter independência de pensamento e em consequência, de ações. A visão de Arendt, profunda e desapaixonada, depois tornou-se clássica, mas, ressalte-se: relativamente humanizava, mas não absolvia Eichmann. Antes dela, em 1861, o genial mulato Machado de Assis, que inevitavelmente seria perseguido pelos nazistas, publicou o conto A Teoria do Medalhão, onde define a alma brasileira; nele, um bem-sucedido pai orienta o filho a como obter sucesso na vida e fornece-lhe um rol de atitudes a ser adotadas: aconselha-o a portar-se de maneira grave, mesmo sendo pilantra, não ter ideias novas, a usar frases feitas e sem conteúdo, dar festas e jantares (hoje, marketing), não ter opinião própria, ser vulgar, enfim caracterizava a necessidade do filho ser um medalhão. O medalhão no Brasil tornou-se aquele cara que se pego pela polícia em infração de trânsito ou outra qualquer,açoita quem ousa pará-lo: ?Você sabe com quem está falando??. Ele rejeita ser tratado igual aos outros, mesmo que publicamente alardeie ser um democrata, um socialista. Algo a ver com Zé Dirceu e Genoino? Eichmann e asseclas, pagaram com a vida por seus crimes. O julgamento do mensalão nos legou a extraordinária possibilidade de no Brasil os medalhões serem julgados de igual forma aos usuários do SUS. Espera-se que o Judiciário nacional siga esse histórico exemplo.

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