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Opinião

AT� IEMANJ� VAI � GUERRA!

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Iemanjá, a rainha das águas do mar na cosmogonia africana, no Brasil é festejada, segundo o sincretismo com a religião católica, em diferentes dias do calendário religioso. Na Bahia, Iemanjá é festejada em 2 de fevereiro, Dia de Nossa Senhora das Candeias, enquanto em Alagoas, singularmente, se confunde com a data de Nossa Senhora da Conceição e sua grande Festa é celebrada em 8 de Dezembro. Há décadas, todos os terreiros da capital e do interior ocupam o mar de Maceió, realizando uma das maiores manifestações religiosas e culturais de nosso estado. Centenas de pessoas vão deixar suas flores, alfazemas, sabonetes, espelhos e muitas outras oferendas. Quando em 2012 a Prefeitura de Maceió interviu na histórica festa de Iemanjá, estava em jogo mais do que o acesso às areias da praia. Na verdade, o espelho de Iemanjá refletiu para nós a luta entre uma Maceió ainda orientada por ideologia da civilização que se apresentava como oposição à barbárie. Não se tratou, portanto, de mera aplicação de procedimentos administrativos visando à melhor utilização do espaço público, mas da retomada de certo racismo cultural que associa africanidades à ignorância, à feiura, à sujeira, à desorganização e desordem, como tantas outras palavras pertencentes a esta sequência semântica. Mostras históricas desse racismo não nos faltam, desde o Quebra dos Terreiros de 1912. Ou seja, como sempre, ao longo dos anos, repetidamente, os pobres, negros e mestiços deveriam abrir alas à civilização branca, procurando o ?seu lugar? histórico, o da periferia geográfica e cultural. Por falar em visibilidade, nos parece ser este o núcleo da questão: a Festa de Iemanjá em Alagoas reflete o momento atual de fortalecimento das culturas negras, colocadas fora do esquadro, há décadas, por uma elite que se julga branca, não percebendo que a nossa História se confunde, em grande medida, com a História do povo negro. Para homenagear Iemanjá ? a mãe cujos filhos são tantos como os peixes ?, completam o azul do mar de Pajuçara como o manto sagrado da sua Deusa, as comunidades de terreiros, além dos afoxés, maracatus, capoeiras e tantas outras Alagoas negras que resistem, celebrando a vida, o amor, a paz, a felicidade, a abundância... Vamos festejar Iemanjá: com um espelho na mão... E uma espada na outra.

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