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Opinião

EMO��O E PESAR

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Após o Natal do ano passado, fiz uma viagem à Europa, que catalogo como mística, espiritual, sentimental e religiosa. Por que essa estranha definição de uma viagem? A resposta é simples: meu destino era o Santuário de Fátima, em Portugal, uma de minhas devoções. Um lugar de esperança e de paz. Em Lisboa, no aeroporto, escolhemos um motorista que conosco deveria passar o dia em Fátima. No caminho, contou-nos que tinha muitos parentes no Brasil; ele e a família acompanhavam, diariamente, os acontecimentos de nosso país, através do canal de televisão Globo Internacional. Eram fãs de novelas e noticiários. Nesse dia, após o jantar, procurei o canal da Globo que ele falara. Entrou fácil, nítido, como se aqui estivéssemos. Meu pensamento se volta para Fátima e lhe conto a razão dessa devoção. Durante um período de minha vida, e já se vão 15 anos desde então, fui acometido de uma grave moléstia; durante uma semana, minha vida oscilou no limiar da vida e da eternidade. No leito hospitalar, dominavam-me preocupação, ansiedade, angústia. E aí lembrei às crianças a quem a virgem Maria havia aparecido, nos idos de 1917, em Fátima. Coincidência ou não, pouco depois um sentimento de paz acalmou minhas angústias. E, gradualmente, voltou-me uma energia que suponho jazia adormecida no meu inconsciente. Autossugestão, diriam alguns. O fato é que a vida me voltava de forma rápida, sob admiração dos médicos que me acompanhavam. Ao voltar ao hotel, naquela noite, assisti ao Jornal Nacional e aí tive conhecimento de uma notícia entristecedora: o falecimento do poeta Lêdo Ivo. Emoção e pesar. Conheci Lêdo Ivo numa visita feita à Academia Brasileira de Letras. Nessa visita, foi lançada a reedição do romance Ninho de Cobras de Lêdo Ivo e um estudo biográfico e retrospectivo de sua obra literária Labirinto das Águas, da escritora Leda Almeida. Daí em diante, em vários encontros, ora na Academia Alagoana de Letras, ora em almoços na residência da renomada escultora e intelectual Tânia de Maya Pedrosa, aprendi a admirar a opulência e a diversidade da poesia de Lêdo Ivo. Dois conceitos que aqui aplico: ?As pessoas não morrem, ficam encantadas?, de Guimarães Rosa. ?A morte não se extingue, transforma; não se aniquila, renova; não divorcia, aproxima?, de Rui Barbosa. Afinal, somos finitos; a vida passa a ser uma sucessão de adeuses.

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