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O exemplo do Brasil e as li��es de Mandela

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Confirmando as expectativas, o mundo deu uma raríssima prova de civilidade ao se reunir, através de seus principais líderes nacionais, em um ato de despedida e homenagem a Nelson Mandela. Não só chefes de Estado e/ou de governo se juntaram, aproximando-se física e espiritualmente, ontem, no Estádio Soccer City, em Johanesburgo. Ex-governantes, líderes de partidos e organizações sociais, personalidades ? em resumo, os principais protagonistas das contradições (e conflitos) contemporâneos deram-se as mãos, literalmente, em torno do exemplo de um combatente pela paz e pela igualdade. O Brasil foi um dos países que mais demonstraram compreensão da mensagem de união e cidadania emanada do catafalco de Mandela. Juntos, participaram da solenidade a presidente Dilma Rousseff e todos os ex-presidentes vivos: José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. A força do gesto brasileiro é ampliada pelo fato de que todos os cinco líderes políticos citados estão em plena atividade cidadã, mais das vezes envolvidos em disputas reais e acirradas como a desencadeada pelo PSDB contra o PT, o que frequentemente contrapõe o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva. Fotografados oficialmente, em conjunto, um pouco antes da decolagem do avião oficial para a África do Sul, os ex-presidentes e a atual presidente da República afirmaram, sem ser necessária uma palavra, de que a civilidade e a cidadania estão vivas e presentes no Brasil contemporâneo. Uma homenagem concreta a Nelson Mandela e a seu exemplo de parcimônia e firmeza no trato entre os posicionamentos contraditórios e as ideologias tidas como antagônicas. Mandela soube, como poucos, ser duro na defesa de suas posições. Foi vítima das maiores agressões e discriminações sem nunca ter arredado pé de seus ideais. Chegou ao poder depois de 27 anos de cadeia e não manifestou, nem permitiu, nenhuma iniciativa revanchista. Não se deixou levar por, nem incentivou, nenhuma das ?ondas? típicas das mídias partidarizadas. Mandela soube combater e compreender os seus contrários, dispensando quaisquer formas de vinditas. É este exemplo que o Brasil precisa, efetivamente, reafirmar compreender e praticar.

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