Opinião
O n� cego na matriz energ�tica brasileira
Dentre os gargalos que asfixiam a economia brasileira, o ?nó? energético é um dos mais evidentes e complexos. A cada dia, esse laço se acocha, emaranhando-se num liame intrincado, difícil de ser desamarrado. Os reflexos da frenagem aos preços dos combustíveis são alguns desses nós de laçadas contraditórias, pois, ao evitar um mal, a inflação, provoca uma maldade com a Petrobras e, por tabela, com a economia como um todo. O combustível renovável foi, durante a gestão Lula, encarado como uma solução estratégica, como uma linha de produção própria, independente de uma opção alternativa à opção fóssil. Como país produtor de petróleo, então tido como de médio potencial, o Brasil encarava o combustível renovável não como substituto total do clássico óleo de pedra, mas como uma fonte energética de utilidades múltiplas, podendo ser agregada à gasolina e/ou consumida isoladamente. Os processos de extração petrolífera e seu refino casar-se-iam com os procedimentos de produção do etanol (anidro e hidratado). Ao longo dos oito anos do governo Lula, a capacidade produtiva de toda a cadeia do etanol foi turbinada através de pesados investimentos na área agrícola e no segmento industrial. Contraditoriamente, o desestímulo ao etanol está cevando elefantes brancos, perigosos, em toda a linha sucroenergética. Em todo o País, cresce o número de usinas fechadas e de fazendas sem ter o que fazer com a cana plantada. Em Alagoas, são sintomas desta crise a delicadíssima situação do Grupo JL e o ?fogo morto? na Usina Roçadinho. O evidente aumento do número de automóveis nas ruas chama a atenção para uma estatística perversa para o biocombustível: como nos últimos quatro anos dobrou o número de veículos flex, ao mesmo tempo em que o consumo de álcool hidratado foi reduzido à metade, o consumo real de etanol caiu, em 2013, para ¼ do que era usado em 2009. Isto em tempos de odes à sustentabilidade e de aumento das críticas aos prejuízos ecológicos causados pelos combustíveis fósseis. Em resumo, estamos numa contramão perigosa, onde a sombra de um desastre social se avoluma no horizonte com o aumento da crise sobre todo o setor sucroenergético brasileiro. Já passa da hora de se desatar esse nó górdio do biocombustível, parte integrante desse complexo de amarras, a se apertar mutuamente, que é a atual política energética brasileira.