Opinião
A ALEGRIA DO EVANGELHO
?Fica abolida a lei do celibato também para os padres do Ocidente?, ?As mulheres podem ser ordenadas sacerdotisas?, ?O aborto é permitido?? Os jornalistas chamados ?vaticanistas?, que sabem as coisas do Vaticano fora dos muros, terão ficado decepcionados com a Exortação Apostólica pós-sinodal, a primeira do papa Francisco, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho) sobre a evangelização hoje, comentando os pontos discutidos pelos bispos no último Sínodo, de 2012, sobre a nova evangelização. Nada das inovações estrondosas, com que iniciei este artigo e que alguns pretendiam e chegaram a anunciar, que o papa Francisco iria fazer... ?A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio. Quero convidá-los para uma nova etapa evangelizadora, marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos. Os males do nosso mundo ? e os da Igreja ? não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor? ? iniciou o bispo de Roma seu primeiro documento pastoral a toda a Igreja, após a Encíclica sobre a Luz da Fé, feita em conjunto com Bento XVI. A Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e alimento para os fracos. Somos chamados a agir neste campo com prudência e audácia?. Com força e coragem, o papa fala de uma reforma das estruturas eclesiais, para que se tornem mais missionárias. E ele pensa também numa reforma do papado, para que ele seja mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar (n. 32). A inclusão social dos pobres, ensina o pontífice, deriva de nossa fé em Cristo que se fez pobre e sempre se aproximou dos pobres e marginalizados. Curiosamente, o papa cita um documento dos Bispos do Brasil, que é reflexo do Concílio: ?Desejamos assumir a cada dia as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente as populações das periferias urbanas e das zonas rurais?. ?Para a Igreja, diz Francisco, a opção pelos pobres é mais uma categoria teológica que cultural, sociológica, política ou filosófica?. O bispo de Roma nos exorta a uma conversão missionária e pastoral e não podemos deixar as coisas como estão. Concluo com essa expressão vigorosa do papa Francisco: ?A Igreja proclama o evangelho da paz e está aberta à colaboração com todas as autoridades nacionais e internacionais, para cuidar desse bem universal tão grande?.