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51 ANOS DE MEDICINA

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Era a noite do dia 15 de dezembro de 1962. O céu estava belíssimo, coberto de estrelas. Eu, com meus 25 anos de idade exultava de alegria pela conquista de duas vitórias: o meu diploma de médico e a presença de meu pai ao meu lado, já desenganado pela medicina há vários meses. Foi imensa a minha felicidade quando o vi, com os olhos cheios de lágrimas como a dizer: ?venci a morte, meu filho, para estar ao seu lado?. Três meses depois, ele partia para sempre. 51 anos já se foram. Éramos 14 os doutorandos de Medicina. Todos estudiosos, unidos e apaixonados pela profissão. Hoje, já não o somos. Infelizmente, José Cândido Vieira e Nehemias Rodrigues de Alencar ficaram no meio do caminho, caminhando mais depressa no cumprimento dos seus destinos. Sem termos a alegria da presença deles dois neste momento, resta-nos realizar o prodígio maior e dos mais vivos sentimentos humanos, que é a recordação. Jovens, cheios de entusiasmo, ricos de energia e vitalidade combativa, de ideais de luta na proposta de bem servir à ciência e à vida espalharam-se pelo Brasil e tornaram-se vencedores. Hoje, 51 anos depois, aqui estamos, já não tão cheios de vitalidade combativa pelo desgaste do tempo, mas ainda fiéis aos mesmos ideais da mocidade, dos mesmos sentimentos à medicina e com a mesma convicção que nos fez sonhar os sonhos do cavalheiro andante, a serviço da medicina como profissão e da profissão como ideal de vida. Pelos caminhos do tempo onde me gastei, fui deixando pedaços da minha vida. Vi choros, gemidos, lágrimas, mas também vi o sorriso de crianças voltando à vida e milhões de bracinhos cheios de encanto que me envolveram e me envolvem ainda nessa caminhada de médico de crianças. Apesar do tempo, a alegria de conviver com a criançada é tão grande que eu sinto como se estivesse começando. Lembro-me com saudade e emoção dos meus dedicados professores, que examinavam com paciência e precisão seus doentes. Aprendi nesses anos de medicina, convivendo com a doença e os doentes, com os adultos amigos e familiares, que a perda da saúde nos predispõe a compreender os mistérios da vida. Hoje, tudo mudou no campo da medicina. Apesar de toda tecnologia, o médico, só o médico, pode compreender pela sua grande missão, que independente da enfermidade existe um remédio de real importância para o doente e que nenhuma farmácia vende, que é a palavra do médico. Obrigado, Senhor, pelos meus 51 anos de medicina e ajudai-me ainda a ser útil fazendo a felicidade dos outros!

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