Opinião
O perigo de uma efici�ncia seletiva
Não se pode duvidar da capacidade da polícia alagoana em cumprir sua missão, mesmo em condições materiais consideradas deploráveis. Esta proficiência, entretanto, precisa ser um direito de todos. A eficiência demonstrada quando das investigações sobre o acintoso fuzilamento do soldado PM Ivaldo Oliveira é mais uma prova da vitalidade policial alagoana. Dois dias depois do crime cometido e os primeiros suspeitos estavam identificados e presos. Não é fato isolado nem é o melhor resultado dos últimos tempos. Há quatro anos, quando do revoltante assassinato do bravo agente Anderson Silva, líder do grupamento Tigre, em menos de 12 horas toda a quadrilha responsável pelo crime foi identificada e detida. As manchetes da Gazeta de Alagoas, nos dias 13 e 14 de novembro de 2009, registraram, insofismavelmente, esses fatos marcantes. O que diferencia os acontecimentos em 2013 e 2009? Entre as duas ocorrências trágicas e a pronta e exemplar reação policial, inúmeros outros casos de trucidamentos violentos contra pessoas comuns foram registrados, assim como as lentas, graduais e inseguras reações policiais. É perfeitamente compreensível, e justificável, o fato de uma corporação dedicar-se com mais afinco quando a vítima faz parte de seus quadros. Não se justifica, entretanto, a diferença da água para o vinho entre os resultados das operações que envolvem as vítimas comuns e as vítimas policiais. As condições de trabalho, os salários e tudo o mais não se alteram numa e noutra situação ? as dificuldades e as potencialidades são as mesmas. Não parece também que a diferença de encaminhamentos seja uma tática sindical deliberada como forma de impactar a sociedade numa suposta pressão em benefício das pautas localizadas. Até porque, se assim fosse, seria uma espécie de suicídio moral das instituições policiais, pois a sensação de impunidade é o principal aditivo da ousadia dos bandidos. Parece, isto sim, ser uma crise de gestão e de liderança, problema que aparenta ter se agravado a cada mudança de titular da Defesa Social e que, indiscutivelmente, reflete o desgaste governamental progressivo frente à estrutura da segurança pública em Alagoas.