Opinião
40 ANOS
Estava vendo o noticiário da televisão falando sobre o julgamento do mensalão quando o telefone tocou. Me anunciaram que era o Jaime. Sempre que você recebe um telefonema e lhe anunciam quem é, você instintivamente faz uma prévia. Tem certas pessoas que você toma um susto, outras lhe deixam apreensivo e assim vai. Mas do Jaime, velho companheiro de muitos caminhos, sempre vêm boas notícias. E foi com esse espírito que eu atendi ao telefone. ? Oi, Perdigão! Lembra que estamos fazendo 40 anos de formatura? Recebi um e-mail do Carlos (colega de turma) abordando o assunto e dei o seu telefone. ? Ok, Jaime! Agora, estamos na fase de completar 40 disso, 40 daquilo... ? É mesmo Perdigão; isso dá até uma crônica. Depois, conversamos mais algumas amenidades. Eu falei para ele que tinha localizado um ex-professor nosso de 40 anos atrás e nos despedimos. Desliguei o telefone com aquela sensação agradável que nos é deixada sempre que temos contato com um grande amigo e com o desejo, quase obrigação, de registrar esse momento quando tantos quarenta acontecem. Dizem que a vida começa aos quarenta, mas agora não estamos mais começando a vida. Estamos completando 40 de formatura, 40 de universidade, 40 de emprego e até os nossos filhos já estão perto dos 40. Será que teremos outros 40? Não sabemos e isso é a graça da vida. Gostaria de escrever 40 páginas mas não conseguirei. Talvez 40 linhas. Não seria difícil. Bastaria começar a lembrar os nomes daqueles fizeram parte da turma. Foram cerca de 80. Alguns já se foram e outros nunca mais vi. Tem aqueles que a gente vê de vez em quando no trânsito, num restaurante ou nos poucos encontros que ao longo desses 40 anos se realizaram. Quando desses encontros ? não sei se acontece com os outros ?, em mim sempre bate uma certa ansiedade. Há uma expectativa não sei do quê. Talvez um certo medo de não ser reconhecido por um companheiro ou na mesa que em que você estiver o assunto não vá estar ligado ao da sua área. Mas, felizmente, ao longo da noite, isso tudo passa e, à medida que as garrafas vão-se esvaziando, as lembranças fluem, os apelidos reaparecem, tem sempre alguém que tem um exemplar do convite da formatura ou um retrato de alguma farra. Pois é. Acho que assim será mais uma vez... Vou parar por aqui e mandar logo um e-mail para o Jaime. Não vou esperar 40 anos, pois é arriscado.