Opinião
Riscos de injusti�a num protesto justo
Perfeitamente previsível. Os policiais novamente entram em estado de mobilização pelo que consideram seus direitos. Tal movimentação é sempre esperada em função do permanente desencontro entre as entidades sindicais e o governo do Estado. Num momento, é a corporação civil que está em pé de guerra; noutro, é a instituição militar que se alevanta. A questão central, recorrente, nos dois casos, é a salarial. O anúncio de zero aumento nos soldos dos policiais militares não poderia causar reação diferente: insatisfação e protestos. Está em curso a chamada operação padrão, apresentada como um procedimento que amarra as atividades policiais ?ao que preconiza a lei?. Várias são as ilações sobre o ?padrão preconizado pela lei?. A primeira pergunta que não quer calar é: no dia a dia, as tropas estariam agindo fora da lei? A segunda questão preocupante a ser respondida é: quem pagará o pato? Se para pergunta número um persiste a dúvida sobre o que existe cotidianamente nas atividades de nossas forças policiais, a inquirição número dois, infelizmente, traz em si a própria resposta: quem pagará essa conta será a população, especialmente as camadas menos favorecidas e que já sofrem horrores frente à bandidagem. Ontem mesmo, logo no início do movimento ?padrão?, a reportagem da Gazetaweb já identificava que ?a falta de policiamento já é sentida nas ruas, nas ocorrências envolvendo crimes e a população demonstra preocupação? e citava um exemplo cabal ao descrever que ?nesta manhã [de quarta-feira], um tiroteio registrado no Vergel do Lago deixou os moradores em pânico. Muitos foram os chamados que chegaram à Base Comunitária do bairro e ao 1º Batalhão, mas nenhuma viatura deixou os locais para ir até o local do ocorrido?. Assim é danado. Como já escrito dantes, ?além de queda, coice?. A população alagoana, aterrorizada diariamente por conta do esgarçamento indiscutível do tecido da Defesa Social, exposta e indefesa frente ao crime organizado e desorganizado, terá que sofrer um aguçamento desta triste realidade como consequência da quebra de braço entre governo e entidades sindicais policiais. O que pode ser feito? Trancar-se em casa não é solução, porque alguém tem de trabalhar neste estado. Por outro lado, ferrolhos, cadeados e tramelas não são obstáculos para os meliantes que atuam à solta em Alagoas e que não conhecem dificuldades em fazer voar pelos ares caixas eletrônicos de aço ? imaginem as residências comuns... É o caos! Mas talvez a culpa seja da imprensa...