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Opinião

Afinal, o que funciona contra a espionagem?

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Não se pode negar impacto a qualquer resolução das Nações Unidas. Mas, na maioria dos casos, esse impactar é apenas midiático ? quando o é. Na maioria dos casos, para uma decisão da ONU ser levada em consideração é condição sine qua non estar o texto apoiado na tessitura bélica de tropas bem armadas, mais das vezes, americanas. Um pronunciamento da ONU contra os interesses da única superpotência do mundo contemporâneo (assim como contra as potências aliadas desta) é algo fadado ao mero ?jus sperniandi?. Este é o caso do documento aprovado por consenso de 193 Estados-membros das Nações Unidas condenando as ações de espionagem praticadas pela Agência de Segurança Nacional (dos Estados Unidos). Uma vitória diplomática do Brasil e da Alemanha, países propositores da resolução, ambos refletindo seus incômodos frente a desbragada espionagem realizada pelos serviços nem tão secretos assim americanos. De concreto, este é o primeiro resultado digno de registro, em termos de reações formais, sobre as denúncias feitas por Edward Snowden, espião americano repentinamente tomado por uma crise de consciência, que apresentou dados irrefutáveis sobre a gigantesca extensão e penetração da rede de espionagem do governo dos Estados Unidos. A decisão da ONU poderia até ser considerada corajosa, caso alguma das nações signatárias (particularmente, Brasil e Alemanha) se dispusesse a conceder asilo diplomático ao agente renegado e perseguido pela Casa Branca, hoje provisoriamente escondido em Moscou e à espera de uma acolhida real em algum lugar do mundo. Em verdade, todos deveriam ter certeza de que espionagem corre solta e é praticada não apenas pelas agências americanas, como reconhecer a completa vulnerabilidade de todas as formas de relacionamento oferecidas pela web e/ou sistemas telefônicos. No caso dos cidadãos comuns, das empresas, entidades representativas, a única solução é resguardar seus segredos bem longe da internet e dos telefones. Simples assim. O resto é cenografia e/ou piada.

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