Opinião
TOGAS MACULADAS
Jogar lama em políticos data do Império Romano, quando os cidadãos sujavam as togas brancas de senadores impuros tornando-as togas maculosas ? profanadas pela lama. Ressalte-se que senador, diferente de hoje, era a denominação de políticos de vários gêneros ? e a toga preta de juízes não tem vínculos com o assunto. A nossa Alagoas, tão bela e pujante, atravessa um período tenebroso em todos os sentidos. O mata-mata se potencializa a cada dia e ora beira o caos, sob o desrespeito às polícias civil e militar que, tal como nós, vivem intimidadas e, praticamente, manietadas pela carência de verbas, de acessórios protetores de suas vidas, e de armamentos com alto poder de fogo para enfrentar a bandidagem que prolifera em todos os rincões. As armas dos cidadãos de bem já foram confiscadas nos impedindo, também, a autodefesa quando necessária. A bandidagem não é formada somente por pessoas menos privilegiados que ? espelhadas nas bandalheiras cometidas por políticos, se sentem motivados a enriquecer, também, de forma fácil, cometendo roubos e latrocínios. A pior bandidagem é a política, que saqueia impunemente os cofres públicos, mesmo sob os hercúleos e solitários esforços do Ministério Público na busca de identificar os gatunos. Assusta-me a inércia da sociedade como um todo. Parte se omite sob o argumento de nada poder fazer, outra, admira a sagacidade de ladravazes que espoliam o Estado, e a terceira cala porque também se locupleta conivente com as fraudes de tantos. Certa vez, em defesa do Rio São Francisco, envolvido em atividades de um plano de ações contra a transposição, uni-me a sindicatos de trabalhadores, pastoral e índios, engendrando um protesto que se tornou desnecessário porque audiências públicas foram suspensas sob a reação de sergipanos. Já passou da hora de conclamá-los, novamente, ora em defesa de Alagoas e do bem-estar comum, combalidos pelo apontado desvio de recursos, vultosos, o que compromete a educação do seu povo, a saúde, a segurança pública, a infraestrutura e o progresso dessa terra. Uni-vos, pois, em apoio ao Ministério Público para impedir o retorno da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas, a casa do povo ora transformada em feudos de alguns, até quando for identificado quem é quem dentro do cancro que aparenta corroer as suas entranhas. De grandes guerreiros caetés, os alagoanos se transformaram em acovardados cidadãos, que, mesmo silentes e omissos, almejam conhecer as togas maculadas.