Opinião
Crime e desservi�o na onda de boatos
Alagoas vive, inquestionavelmente, um duro momento em sua história de insegurança pública. Mesmo que fosse menos grave a realidade, dispensar-se-ia a nociva prática da boataria sistemática como a que tem assolado o estado, via redes sociais, nos últimos dias. Pode-se explicar esse tipo de atitude em função dos ressentimentos e revolta contra o governo do Estado, assim como é evidente que a deterioração da autoridade e das lideranças no segmento segurança pública estimula tal comportamento. Mas nada justifica aterrorizar a população com notícias falsas. O povo alagoano já vive permanentemente assustado por acontecimentos reais, trágicos e violentos, para os quais a autoridade policial não apresenta respostas satisfatórias (mesmo que parciais). Não só é dispensável, como condenável a multiplicação deliberada do clima de terror vivido pelas famílias alagoanas. Tal procedimento deve ser considerado como de fato o é: um crime. O espalhamento desses boatos, como falsos arrastões em centros de compras e em bairros, provoca não apenas sustos, mas possui todos os elementos para o desencadeamento de reações negativas em série, tais como o pânico ou mesmo perigosas respostas de pessoas que imaginam estar defendendo seu patrimônio ou seus entes queridos. Muitos são os perigos de tamanha irresponsabilidade. O pior de tudo é que não se tem a quem apelar para o enfrentamento deste tipo de problema, pois se em condições normais a polícia não tem como dar conta de suas atribuições de forma satisfatória, imaginem a quantas anda a capacidade de resposta policial em tempos da autodenominada ?operação padrão?. Nem é possível se combater de forma correta, enquanto Estado, a onda de boataria, nem seria o caso de se tentar mapear ondas que ?causaram? nas redes sociais. Deve-se desmentir o que deve ser desmentido, é lógico, para que o falso não se consolide como verdadeiro. E, principalmente, precisa-se apelar para o bom-senso da população que precisa saber distinguir, cada vez com mais precisão, a verdade da mentira nas redes sociais. Até porque nada indica que os motivos para as revoltas e ressentimentos venham a arrefecer rapidamente.