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O ciclo natalino e sua revitaliza��o

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Como se sabe, os estudiosos das manifestações populares brasileiras, como Câmara Cascudo e Théo Brandão, identificaram a força particular no Nordeste do período de festas populares que principia no dia 24 de dezembro e se encerra no Dia de Reis, 6 de janeiro ? o Ciclo Natalino. Não sem motivo, essas são as datas referenciais para o advento do Salvador, pois 6 de janeiro era o dia no qual se festejava o nascimento de Cristo até o ano 350, quando o papa Júlio I redefiniu o aniversário de Jesus para 25 de dezembro. Coube ao imperador Justiniano, no ano de 529, declarar este dia como feriado nacional. Iniciar as comemorações na véspera da data oficial e encerrá-la no dia exato no qual era antes festejada tem tudo a ver com a memória histórica e religiosa do povo cristão e/ou das populações herdeiras das tradições culturais dos romanos. Em Alagoas, o Ciclo Natalino viveu séculos de glória, concentrando manifestações da maior quantidade de folguedos populares neste período em todo o Brasil, como bem registrou o folclorista Ranilson França. Tempo houve em que as disputas do Pastoril, renhidas batalhas de ?votos? entre os partidários dos cordões encarnado (vermelho) e azul, marcaram a euforia de um tempo no qual torcida organizada não era sinônimo de bando criminoso. Com o tempo, o ânimo das festas do Ciclo Natalino foi fenecendo, mas a cada dezembro manifestações nem tão isoladas assim (Pastoril, Guerreiro, Chegança, Taieira, Baianas, Nêga da Costa, Fandangos...) reafirmam sua força e vitalidade. Em boa hora, a prefeitura anuncia a disposição de patrocinar um roteiro de festas populares em dezembro, aproveitando estarem localizadas neste mês as duas datas mais expressivas de Maceió, pois no dia 5 se comemora a elevação do povoado à condição de vila e no dia 9 festeja-se a oficialização da vila ao posto de capital de Alagoas. Esticando um pouco a organização, teríamos um período de ouro de festas populares de 5 de dezembro a 6 de janeiro ? não por acaso coincidindo com o auge do fluxo turístico na cidade. Por que não investir ? de verdade ? nisto?

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