Opinião
Novo sal�rio m�nimo e antigas reivindica��es
Ontem, véspera de Natal, dia tradicionalmente visitado por Papai Noel, foi publicado no Diário Oficial da União o valor do salário mínimo vigorante a partir de 1º de janeiro de 2014. O novo valor do salário mínimo brasileiro é de R$ 724,00 ? o que significa um aumento de 6,78% sobre o valor vigorante em 2013. Como as previsões menos otimistas para o aumento da inflação neste ano apontam para um crescimento de 5,72%, uma leitura rápida (e mecânica) dessa junção descortina um crescimento real de, no mínimo, 1% para o ?mínimo?. Usando um indexador universalmente aceito, encontramos um valor de US$ 307,38 (trezentos e sete dólares americanos e trinta e oito centavos) para o novo salário mínimo brasileiro, em valores de hoje. Dolarizar essa referência é particularmente importante para situar o ganho real da massa salarial brasileira na última década, posto ser, há pouco mais de 10 anos, a reivindicação de US$ 100 para o salário mínimo, uma bandeira radicalíssima ? quando não, um sonho longínquo. Nunca é demais lembrar que ao longo dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, embora o salário mínimo tenha alcançado a faixa dos US$ 100 (em seu melhor momento), perdeu substância rapidamente e às vésperas da passagem da faixa presidencial para Luiz Inácio da Silva, esse valor equivalia a míseros US$ 56,50. Trata-se, portanto, de um processo de valorização histórico e de grande importância social e econômica. Considerando-se apenas a conversão formal para a moeda americana, é significativo assinalar que, quando da criação do salário mínimo no Brasil, em 1940, seu valor (19,26 mil réis) equivalia, então, a 12,23 dólares americanos. Naturalmente, isto não pode ser entendido como uma comparação matemática entre o poder de compra amealhado por essas moedas (brasileira e americana) naquele tempo e hoje, dado as grandes transformações econômicas e monetárias vividas pelo mundo desde aquela época, mas serve para dar ideia da evolução do valor do salário mínimo em nosso país. Convém lembrar que o salário mínimo é uma das principais referências para a saúde do sistema produtivo e para um processo sustentável de inserção social.