Opinião
MORADIAS POPULARES E A MOBILIDADE INTERNA DOS CIDAD�OS
Atualmente, muito se tem falado em mobilidade urbana. Esse debate alude sobre a garantia de condições necessárias à utilização dos serviços, como também sobre os obstáculos a essa utilização. Existe um fator que merece reflexão dentro dessa discussão. O aumento da área construída nas moradias populares. Quando um acidente de percurso torna a nossa mobilidade reduzida e nos coloca numa cadeira de rodas ficamos sem poder nos locomover dentro de casa. Será que a discussão atual sobre a garantia de condições necessárias à utilização dos serviços, como também sobre os obstáculos a essa utilização não merece contemplar o aumento da área construída das moradias populares? A cada projeto visando à construção de casas para famílias de baixa renda percebe-se uma redução generalizada da área construída. Num País de uma área imensa como o nosso, num Estado onde temos imensas áreas ociosas ou ainda centralizadas nas mãos de poucos é inadmissível que se tenha um corredor de acesso a um banheiro de uma moradia popular, com sessenta centímetros de largura por um metro de comprimento, comportando uma pia, e um banheiro com apenas um metro de largura por um metro e sessenta de comprimento comportando um vaso sanitário e um box. Uma cadeira de rodas não entra no banheiro, nem nos quartos. Só se locomove numa cadeira de rodas em linha reta de frente ou de costa, até onde der acesso, e o restante do percurso é feito de muleta ou pulando, pois não há espaço para manobrar uma cadeira de rodas. Constroem-se casas populares sem pensar nas necessidades básicas de mobilidade daqueles que precisam ou que poderão precisar fazer uso de uma cadeira de rodas, muletas, enfim tenham ou venham ter sua mobilidade comprometida. Hoje, estou com minha mobilidade reduzida e sofro com o pequeno espaço do apartamento onde moro. Oxalá, que nossos representantes em toda esfera do poder público primem pelo bem-estar do cidadão, principalmente da massa que depende desses projetos. Que as discussões, tomadas de decisões visem à construção de políticas públicas abrangendo a mobilidade plena a partir da moradia popular destinada aos chamados de ?baixa renda?, pois esta é a massa, é o trabalhador que sustenta com os impostos abusivos os abastados no conforto de suas moradias com mobilidade plena, geral e irrestrita.