Opinião
Pol�cia e pol�tica no centro da inseguran�a
Nestas duas semanas que separam o ano quase findo do ano vindouro, a capital alagoana parece ferver numa temperatura mais elevada que o tradicional calor do inclemente verão nordestino. Sob a beleza do sol de dezembro fervilham ondas reivindicatórias em protestos movidos pelas entidades sindicais (com maior ênfase na mobilização dos policiais militares) e reclamações da população maceioense numa pauta onde se destaca a questão da insegurança pública. Embora existam outras fontes para a insatisfação do público, a revolta dos policiais militares e o sentimento da população de que está inteiramente desprotegida frente aos bandidos formam uma dupla indissociável de problemas graves a infernizar a vida do alagoano num setor de grande importância: a desproteção policial. O povo alagoano está desprotegido. Esta é a sensação marcante em todo Estado, repercutindo mais intensamente na capital alagoana pela óbvia constatação de que em Maceió concentram-se a maior população urbana do Estado, o maior número de favelas e os principais centros de atuação das quadrilhas de todo o tipo. Não sem motivo é nesta cidade que tem acontecido o aumento galopante da reação popular violenta ao crime, espocando linchamentos e reações armadas ? por parte de civis ? aos criminosos pilhados em flagrante. Com ou sem Operação Padrão, padronizou-se em Maceió o sentimento de que as polícias estão ausentes, distanciadas dos problemas do povo e incapacitadas de oferecer combate ao crime (organizado ou não). Apesar das forças policiais, indubitavelmente, darem ? aqui e ali ? demonstrações cotidianas de esforço no cumprimento de seus deveres, o que chama a atenção (como descrito aqui antes) é a demonstração cabal de que as instituições policiais poderiam ser imensamente mais eficientes. A rapidez e eficiência demonstradas quando das respostas a crimes cometidos contra policiais reforçam a certeza de que algo mais, algo de melhor, poderia ser feito no dia a dia. Em meio a toda essa temperatura explosiva dos dias em curso, aumenta a evidência de que o principal problema da insegurança pública alagoana não é de polícia, mas de política.